"Meu Deus! Como é engraçado!Eu nunca tinha reparado como é curioso um laço... uma fita dando voltas.Enrosca-se, mas não se embola, vira, revira, circula e pronto: está dado o laço.É assim que é o abraço: coração com coração, tudo isso cercado de braço.
É assim que é o laço: um abraço no presente, no cabelo,no vestido, em qualquer coisa onde o faço.E quando puxo uma ponta, o que é que acontece? Vai escorregando...devagarzinho, desmancha, desfaz o abraço.
Solta o presente, o cabelo, fica solto no vestido.E, na fita, que curioso, não faltou nem um pedaço.Ah! Então, é assim o amor, a amizade.Tudo que é sentimento. Como um pedaço de fita"
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(Trecho do poema O Laço e o Abraço de Mário Quintana)
As características sociais dos relacionamentos adultos repousam nas relações primitivas dos seres humanos. Tal preconização é cada vez mais comprovada experimentalmente, donde se observa que os precoces vínculos infantis têm impacto e influenciam os demais relacionamentos posteriores. Hoje, com o conhecimento adquirido, é praticamente impossível no campo do estudo da Psicologia dissociar comportamentos vinculares atuais do primeiros comportamentos vinculativos da criança com suas figuras parentais. Tais vivencias infantis são internalizadas durante o processo de organização da personalidade humana. Assim sendo ou assim ocorrendo, desenvolve-se no psiquismo de cada um de nós representações mentais básicas aos outros, com consequentes expectativas, fantasias e imagens antecipatórias, que lastreiam tanto nossas reações comportamentais quanto nossas percepções em termos relacionais. Mecanismos psíquicos conhecidos e denominados de Identificação Projetiva afetam sobremaneira nossas relações afetivas vinculares, embora não nos demos conta visto tratar-se de um fenômeno psicológico da ordem do inconsciente humano. A Identificação Projetiva, em rápidas palavras, é quando aspectos do próprio sujeitos são negados em si e atribuído ao outro. Não se trata apenas de projeção (dimensão psíquica), pois tais parte projetadas no objeto externo visam dele alguma resposta (dimensão interpessoal). É como um evacuar emocional não somente sobre o objeto, mas dentro do objeto, isto é, provocando um ecoar igualmente afetivo no objeto receptor da projeção, mediante uma espécie de pressão interpessoal. considerando a complexidade de tal fenômeno e o exíguo espaço deste blog, remetemos o leitor à leitura do assunto descrito por Glen Gabbard em seu livro Psiquiatria Psicodinâmica, páginas 44/46. Vide Google Books http://books.google.com.br/books?id=9zXxbtE-jdYC&pg=PP40&dq=identifica%C3%A7%C3%A3o+projetiva&hl=pt-BR&sa=X&ei=YYShU7C8DYmosATJnoHgBg&ved=0CBoQ6AEwADgK#v=onepage&q=identifica%C3%A7%C3%A3o%20projetiva&f=false
O ser humano é um ser comunicacional por natureza. Vincular-se com alguém não é unicamente uma questão de aproximação afetiva, mas igualmente uma questão de comunicação. Bem descreve Pichon- Rivière ao dizer que quando alguém adjudica algo a outrem aí reside o princípio fenomenal básico da comunicação. Afirma Pichon: "na medida em que um adjudica e o outro recebe, estabelece-se entre ambos uma relação que denominamos vínculo". Prossegue: "o conceito de vínculo é operacional, configura uma estrutura de relação interpessoal que inclui, como já dissemos, um sujeito, um objeto, a relação do sujeito frente ao objeto e a relação do objeto frente ao sujeito, cumprindo uma determinada função".
Deixo com o leitor interessado, como complemento ao texto acima, o seguinte vídeo:
Joaquim Cesário de Mello