quinta-feira, 26 de março de 2020

DIÁRIO DE AULA FAMÍLIA - CONTINUAÇÃO


Sobre narcisismo e egos inflados - Lucas Oliveira - Medium





Continuando a aula anterior, reconhecemos que ninguém nasce amando. Os sentimentos ou afetos ternos serão desenvolvidos nas relações de proximidade interpessoal entre o bebê e seus cuidadores.


Neste sentido, o psiquismo começa sua trajetória rumo à formação da pessoa humana em que ele se transformará em uma posição inicial de completa ignorância da existência do mundo externo e seus objetos (pessoas). Trata-se de uma posição primária que Margaret Mahler denominou de AUTISMO NORMAL (pesquisem o conceito no Google). Posição esta anobjetal. 

Contudo isso não é verdade, isto é, o psiquismo e o bebê não são sozinhos na existência. Existem pessoas ao seu redor. Existe mundo externo. A realidade, pois, vai se impondo frente à ilusão de plenitude narcísica da mente (se só existisse ela, ela seria perfeita, onipotente, TUDO). Mas não somos TUDO, pelo contrário, somos absolutamente dependentes de nossos cuidadores (função materna).

Gradualmente o psiquismo vai se apropriando da realidade da existência de um NÃO-EU (que aqui chamaremos de MÃE). Acontece que a mente infantil ainda tenderá a preservar seu conteúdo narcísico, isto é, é como se ela dissesse: "se eu não sou tudo, sou TUDO para o objeto que me cuida (mãe). Outra ilusão, mas que terá muita importância na formação do psiquismo humano. A saída da posição primária de AUTISMO NORMAL, levará à mente para uma nova posição, que Mahler denominou de SIMBIOSE NORMAL (vide conceito no Google). 

mães – Joana a Terapeuta… e a Mãe!

Na posição simbiótica em que vai se encontrar o psiquismo do lactente ela (mente) terá a ilusão que ele (bebê) e a mãe (primeiro objeto externo) formam um PAR PERFEITO. Como dizia, isso será fundamental na formação psíquica humana, pois será base daquilo que chamaremos de IDEAL DE EGO e EGO IDEAL (pesquisem no Google).

Não pensem porque um dia deixamos de ser bebês que o psiquismo humano não manterá registros psíquicos daqueles momentos iniciais (BASE DA PERSONALIDADE HUMANA de qualquer um). Essa dinâmica de acreditar em uma relação perfeita (Simbiótica) com outro (par perfeito), encontra-se nas raízes da Paixão. Assunto que para não ser extenso, continuarei em post a seguir.

O VÍNCULO SIMBIÓTICO O termo simbiose... - Pais e Filhos ...

LEMBRETE: LEIAM NA APOSTILA O CAPÍTULO REF. FAMÍLIA: O ESPAÇO DAS TROCAS AFETIVAS (a partir da página 24). JÁ O ASSUNTO PAIXÃO ACHA-SE DENTRO DO REFERIDO CAPÍTULO, a partir da página 27). Leiam, e apresentem questões, dúvidas, reflexões, ENFIM, SE MANIFESTEM.

DIÁRIO DE AULA - CLÍNICA I ENTREVISTA


ENTREVISTA é uma conversa entre duas ou mais pessoas com o objetivo de se obter informações necessárias por parte do(s) entrevistado(s). Neste sentido amplo, tem-se dois papéis/funções distintos: O ENTREVISTADOR e o ENTREVISTADO.

NA ENTREVISTA PM, O QUE EU DIGO? - Curso Palestra Gratuita

A primeira entrevista em psicologia clínica, que igualmente representa o primeiro encontro pessoal entre o candidato à paciente (entrevistado) e o psicólogo clínico (entrevistador) é fundamental para o início do processo psicoterápico. Como se diz no popular é o primeiro cartão de visitas do terapeuta e do processo.

Assim define a doutora em Psicologia Clínica (PUC/RJ), Terezinha de Mello Silveira: 
“As primeiras entrevistas são momentos de conhecimento e escolha mútua em que o cliente se apresenta pelos seus motivos, queixas, questões e história de forma peculiar, e o terapeuta se mostra pelo seu estilo pessoal, sua indumentária, seu escritório de atendimento e suas formas de intervir. As primeiras entrevistas são também momentos de acolhimento e preparação para o vínculo que começa a se fazer. A forma de presença do terapeuta é, portanto, fundamental para o tipo de relacionamento que vai acontecer”.

É o primeiro encontro interpessoal entre pessoas que anteriormente não se conheciam. É natural eu seja um momento com características ansiogênica, principalmente por parte do entrevistado que está indo a um profissional para falar de seus intimidades, subjetividades e até mesmo de seus segredos. Neste sentido é função do entrevistador “quebrar o gelo” dos instantes iniciais, se for necessário, através de uma postura de acolhida, receptividade e acolhimento.

É comum poder o entrevistador iniciar com uma leve indagação aberta do tipo “o que lhe trás aqui”

Podemos classificar as ENTREVISTAS como:

DIRETIVAS: o entrevistador direciona o rumo da entrevista
NÃO DIRETIVAS: o entrevistador não direciona o rumo da entrevista
MISTAS: começa-se geralmente de maneira não-diretiva, com momentos diretivos durante a entrevista (a mais usada em Psicologia Clínica, salvo exceções).

Toda entrevista é feita perguntas e/ou questionamentos que visam colher material clínico.
No tocante às perguntas elas podem ser:

ABERTAS: sem resposta única. Ex: “poderia falar um pouco sobre seus pais?”
FECHADAS: requerem respostas únicas. Ex: “como é seu nome?”; “quantos anos você tem?”

O Objetivo central de uma entrevista cínica é coletar dados sobre a queixa do cliente, bem como dados significativos de sua história (ANAMNESE)


 8 principais dúvidas sobre psicoterapia - MundoPsicologos.com
Dados Importantes para à ANAMNESE:

HDA (História da doença atual); Queixa (motivo da consulta), sintomatologia, origem (desde quando), contexto, possíveis fatores desencadeantes.
AH (antecedentes hereditários): pais, família.
AP (antecedentes pessoais): história de vida, dados biográficos significativos.
AS (antecedentes sociais): desenvolvimento social (escola, trabalho, amigos, vida amorosa)
EXAME CLÍNICO; comportamento, linguagem/discurso, cognição, nível de ansiedade, curso do pensamento, senso-crítico, capacidade de reflexão, condições egóicas, coerência entre fala e expressão corporal, etc.

A ANAMNSE, por sua vez, tem como objetivo analisar e verificar a qualidade da situação-problema, levantar uma hipótese diagnóstica atual, se há ou não indicação psicoterápica, tipo de abordagem, se o profissional tem condições pessoais/profissionais de atender o paciente, encaminhamento.

Caso o entrevistador for dar início, então, ao processo psicoterápico com a pessoa do cliente/paciente, estabelecer, pois, um CONTRATO TERAPÊUTICO (assunto que iremos abordar em breve).
PESQUISEM E LEIAM SOBRE PRIMEIRA ENTREVISTA EM PSICOTERAPIA (Google, Yahoo, Bing, ou qualquer outro site de busca).


SUGESTÃO: vide link: https://pt.scribd.com/doc/141911901/Primeira-Entrevista-Em-Psicoterapia

Joaquim Cesário de Mello

quarta-feira, 25 de março de 2020

DIÁRIO DE AULA FAMÍLIA: PRIMEIRAS CONSIDERAÇÕES SOBRE O AMOR


Olá gente, vamos reiniciar de onde fomos forçadamente a parar.

Como vocês se lembram iríamos começar o tema AMOR. Não o amor dos filmes, da literatura romântica, dos clichês, das frases prontas, das novelas ou dos sonhos e aspirações. Vamos nos debruçar sobre o afeto, seja ele o que realmente for.


Lembremos que ninguém nasce amando, ou sequer com ciúmes, pudores, moral, ideologias, vergonha, culpa, etc. Do ponto de vista dos afetos podemos dividi-los tanto em afetos positivo (aqueles que gostamos e nos faz bem) quanto afetos negativos (aqueles que não gostamos de sentir, e que sentindo-os nos incomoda e desassossega). Mas, também, podemos classificar os afetos como primários e secundários, a saber:

AFETOS PRIMÁRIOS; que já estão presentes no início de nossas vidas (afetos inatos), tais como o medo, a ansiedade, a tristeza, a raiva e a alegria, mesmo que de forma ainda rudimentar.
AFETOAS SECUNDÁRIOS: que são desenvolvidos a posteriori (depois), com o desenvolvimento a experiências interpessoais humanas. Também podemos denominá-los de AFETOS SOCIAIS, pois são desenvolvidos através de nossos relacionamentos sociais, desde o grupo primário (família) até o grupo secundário (escola, vizinhança, por exemplo).

Nossa primeira escola afetiva é a infância e é de lá que trazemos muito de nossa bagagem emocional à vida adulta. E como vai surgir os chamados afetos amorosos dentro do psiquismo humano? Vamos lá...

O ser humano nasce sem ainda conhecer o mundo que o circunda e muito menos as pessoas que nele habitam. A mente humana primariamente é solitária, isto é, é vazia de pessoas (ou de objetos internos em uma linguagem mais psicológica).

Elisa professora de ARTE: Abril 2018Lembrem-se da velha pergunta QUANTOS LADOS TEM UMA BOLA? A resposta é DOIS, o lado de dentro e o lado de fora. Pois é, analogamente também podemos indagar quantos lados tem uma pessoa? DOIS: o lado de dentro (que chamamos de MUNDO INTERNO) e o lado de fora (MUNDO EXTERNO) O que vai se formar dentro da mente são representações psíquicas de experiências (OBJETOS INTERNOS). Tais OBJETOS INTERNOS são internalizações das vivências que vamos tendo com as pessoas humanas fora de nós (OBJETOS EXTERNOS).

Bem, evidentemente que um neonato ainda não tem representações internas dos objetos externos. O psiquismo vai gradualmente formando. A mente rudimentar é, portanto, anobjetal (ausência de objetos) e amúndica (ausência de mundo), sem qualquer noção da existência de qualquer coisa que não seja ela mesma. Aliás, também ainda não há dentro do psiquismo rudimentar de um neonato uma PERSONALIDADE, uma PESSOA formada. A personalidade e a pessoa vai se desenvolver ao longo de nossa existência, principalmente nos primeiros anos de vida extrauterina (vide disciplina DESENVOVIMENTO DA PERSONALIDADE).

Ora, se mente humana primitivamente não percebe nada que não seja ela mesma (suas sensações corporais de prazer e desprazer), então podemos também dizer que tal psiquismo primário se “acha tudo’.

Sabemos que isto é uma pura ilusão da mente que originariamente continua funcionando fora do útero materno como se fetal ainda fosse. Como bem descreve Margaret Mahler, o nascimento psicológico vem depois do nascimento biológico. Retornarei a Margaret Mahler no próximo texto.

No início da existência humana além do útero a noção de Eu é tão somente um potencial a se realizar. E o Eu nasce, posteriormente ao nascimento biológico, através da relação com o ambiente cuidador. 

O bebê vai gradualmente se descobrindo dependente de alguém. É como se o psiquismo fosse aos poucos se dando conta de que não é uma solidão existencial ou solidão essencial como dizia Winnicott, isto é, ela não está só, ela não é tudo. A mente vai descobrir a mãe, ou mais precisamente seu primeiro objeto, seu primeiro não-eu.


É através dos cuidados maternos, no interjogo das gratificações e frustrações, que surge o objeto externo frente aos olhos infantis. É a mãe quem o sustenta, é a mãe quem o alimenta, é a mãe quem o protege, é a mãe quem o agasalha, é a mãe quem atende suas mínimas necessidades, é a mãe...

       É com este objeto materno que o ser humano toma contato e desenvolve seus primeiros afetos secundários. Decididamente, a mãe é o primeiro objeto para onde a energia psíquica e atenção do bebê se dirige. A mãe é o objeto que satisfaz, ou frustra, nossos mais íntimos desejos de então.

  No principiar da vida é da natureza psíquica humana ser narcísica. Narcisisticamente nos “achamos” ou nos sentimos TUDO. Pensamos (e aqui o pensamento ainda não é linguístico ou simbólico, nem regido por qualquer Princípio de Realidade, mas sim pelo Princípio do Prazer, um pensar primitivo e sensório-motor) que somos AUTO SUFICIENTES, ONIPOTENTES, COMPLETOS, enfim PERFEITOS. Contudo isto não condiz com a realidade, pois na verdade um bebê humano é DEPENDENTE ABSOLUTO, IMPOTENTE e frágil frente à satisfação de suas próprias necessidades, INCOMPLETO, enfim IMPERFEITO. Eis aí nossa primeira adaptação psíquica, que conjuga-se ao se ajustar a um mundo extrauterino, nosso primeiro e fundamental conflito entre o Princípio de Prazer e o Princípio de Realidade. Caso o bebê não venha ao mundo com nenhum “defeito de fábrica” a realidade sempre vence, ao menos em grande parte.

Resultado de imagem para SIMBIOSE, MÃE BEBEO descobrir-se dependente, vulnerável, incompleto e imperfeito não deve ser uma tarefa mental fácil ao psiquismo ainda em formação. Aos poucos vai se desvanecendo as ilusões narcísicas, e a realidade, o mundo, a mãe e os outros vão tomando forma e contorno no campo perceptivo e sensível do aparelho psíquico. Mas a mente ainda vai lutar para manter a ilusão narcísica de onipotência, completude e plenitude. Descoberta a mãe, e sua dependência em relação a esta, a mente que antes se “achava” TUDO cede espaço à mãe ilusoriamente fálica, isto é, se antes o psiquismo de um bebê se considerava TUDO, agora – reconhecida a existência do objeto cuidador – ele é TUDO para a mãe.   

        Mais um vez nossa mente nos engana, ilude-se. Embora possa ser a criança a coisa mais importante da vida de uma mãe, ela não é TUDO para a mãe. Saudavelmente mesmo que um filho represente a realização de muitos dos desejos maternos, o filho não é a realização de todos os desejos maternos. Estamos, pois, no âmbito da simbiose.

 Para não ficar extenso e cansativo, continuarei segunda o assunto....

terça-feira, 24 de março de 2020

DIÁRIO DE AULA - CLINICA I - ALIANÇA TERAPEUTICA


Bruna Soares

Não existe relação terapêutica se não houver uma aliança terapêutica (AT) entre o cliente/paciente e o psicoterapeuta. É necessário que ambos estejam engajados na tarefa psicoterápica. Afinal, não basta alguém ir para um profissional (psicoterapeuta) e este aceitar recebê-lo. É preciso, pois criar um VÍNCULO de trabalho entre ambos. A AT é, portanto, a capacidade de estabelecer uma relação de trabalho entre a dupla, e é a base do processo psicoterápico.

A AT é considerada como a base do tratamento porque, a partir da postura de acolhimento e escuta atenta do terapeuta, o mesmo oferece um clima de confiança e respeito. Sentir-se compreendido é condição essencial para que o paciente continue seu tratamento.

Se ficarmos no resumo acima, iremos acreditar que as coisas parecem fáceis. Basta ser acolhedor e respeitoso, bem como o cliente se sentir compreendido, que tudo vai correr à mil maravilhas. Cuidado, nem sempre é assim.

Tudo seria simples e descomplicado se o ser humano não fosse naturalmente um ser de paradoxos e conflitos.

Lembrem-se, a condição sine qua non para existir de fato uma psicoterapia é, por parte do cliente/paciente, haver uma percepção subjetiva de estado de sofrimento. Não se procura terapia porque se está feliz, bem resolvido, tranquilo, e bem com a vida e as pessoas. De jeito algum!!!!! Procura-se uma ajuda psicoterápica porque existe na pessoa aflição, desgosto, preocupação, ansiedade, tristeza, angústia, enfim, algum sofrimento de ordem subjetiva.
Todavia, a mente humana é escapista, ou seja, funciona no que convencionamos chamar PRINCÍPIO DO PRAZER-DESPRAZER, isto é, busca prazer e evitar dor. É exatamente essa qualidade psíquica que faz com que a psique humana manifeste, em algum momento, do processo psicoterápico, RESISTÊNCIA. E por que isso?
Lembrem-se que quando uma psicoterapia tem caráter exploratório, isto é, voltada ao INSIGHT, ela vai mexer com coisas que vão incomodar a mente, como feridas antigas na alma, por exemplo. Nem sempre queremos ver certas coisas em nós, pois isso dói. Então, o psiquismo tenderá a evitar ou fugir do que vai lhe gerar esforço, incômodo, desconforto.

Pelo acima exposto, é interessante pensarmos o tema pelo ângulo proposto por RICHARD STERBA em ao final da década de 30. Em um pequeno artigo intitulado QUAL O DESTINO DO EGO EM ANÁLISE? (análise aqui deve ser pensado, inclusive, em termo de auto-observação e auto investigação, isto é, um EU que se reflete e se pensa0, o autor mesmo responder: DIVIDIR-SE EM DOIS. Para tal ele cunhou o conceito de CISAO TERAPEUTICA DE EGO. Como assim?, vejamos:

Observem o seguinte trecho deste poema de FERNANDO PESSOA:

Brincava a criança
Com um carro de bois.
Sentiu-se brincando
E disse, eu sou dois!

Há um a brincar
E há outro a saber,
Um vê-me a brincar
E outro vê-me a ver.

Pois é. Quando uma pessoa procura uma psicoterapia ele vem relatando suas vivências e experiências (STERBA denominou de EFO ANALÍTICO). Por outro lado, o terapeuta tem uma postura investigativa, questionante, ou seja, de analisar com o paciente suas próprias experiências, vivências, sentimentos, pensamentos e comportamentos. Isso vai levar o paciente a melhor se auto-observar, ou seja, ele passa a ser, além de um EGO VIVENCIAL, a ser também um EGO ANALÍTICO, pois ele começa a se analisar por detrás de suas experiências, sensações, pensamentos, comportamentos e sentimentos. Daí a expressão CISÃO TERAPEUTICA DE EGO: um EGO inicialmente somente VIVENCIAL, sendo agora dois: EGO VIVENCIAL e EGO ANALÍTICO.

Empatia no processo de relação terapêutica


Lembrem—se a auto-observação (analisar a si mesmo) coloca o 
EGO pensante (consciente) frente aos mecanismo psíquicos (geralmente inconsciente a esse mesmo EGO) de defesa e resistência. É avançando sobre essas defesas e resistências que o EGO do cliente/paciente melhora, cresce, amadurece. Trata-se de um paradoxo:  para se deixar de sofrer, há de se sofrer um pouco mais (avançar sobre o que está por debaixo de muitas coisas e que a mente não quer ver, pois vai mexer em coisas que lhe farão se incomodar).

É como se o cliente/paciente colocasse o terapeuta (sua função de analisar) dentro de si. E é isso mesmo que acontece, graças a um fenômeno psíquico conhecido como IDENTIFICAÇÃO.
Observem o resto do poema acima:

Estou por trás de mim
Mas se volto a cabeça
Não era o que eu queria
A volta só é essa...

O outro menino
Não tem pés nem mãos
Nem é pequenino
Não tem mãe ou irmãos.

E havia comigo
Por trás de onde eu estou,
Mas se volto a cabeça
Já não sei o que sou.

E o tal que eu cá tenho
E sente comigo,
Nem pai, nem padrinho,
Nem corpo ou amigo.

Tem alma cá dentro
Está a ver-me sem ver,
E o carro de bois
Começa a parecer.

Olhem esse vídeo sob nova perspectiva:





domingo, 1 de março de 2020

A RESISTENCIA EM TCC


RESISTÊNCIA EM TCC



No modelo cognitivo-comportamental, a resistência é entendida como um não-envolvimento ou uma não-colaboração com um determinado papel de resolução da problemática no aqui e agora. A resistência é manifestada em diferentes dimensões, cada dimensão reflete um estilo de pensamento relativamente controlado pelo paciente.

RESISTÊNCIA DE VALIDAÇÃO: quando o paciente se sente não compreendido (validado) em seus sofrimento pelo terapeuta. O paciente pode autosabotar as tarefas propostas, por exemplo. É necessário o terapeuta não ter pressa, reconhecer/validar o sofrimento do cliente, para depois iniciar estratégias de encorajamento à mudança.

RESISTÊNCIA DE VITIMIZAÇÃO: é difícil sair da postura de ser unicamente vítima.

RESISTÊNCIA MORAL: rigidez moral tende a ser um obstáculo à mudança.

RESISTÊNCIA ESQUEMÁTICA (CARACTEROLÓGICA). É necessário explorar as origens dos esquemas, para começar a explorar esquemas alternativos mais adaptativos.

RESISTÊNCIA CONSERVADORA: o paciente tem resistências a pensar e agir diferente do que ele sempre se acostumou a pensar e agir.

RESISTÊNCIA AO RISCO: mudanças comportamentais que modificam o sujeito e pode levá-lo a sair da chamada “zono de conforto” (conhecido, seguro), tentem a ameaçar alguns pacientes menos pró-ativos ou que veem o mundo como um lugar hostil.