quinta-feira, 7 de maio de 2020

DIÁRIO DE AULA: FAMÍLIA - O NASCIMENTO DO(A) FILHO(A)



Confissões de uma Mamãe!: Dezembro 2010


   Sobre o tema nascimento dos filhos, vou no momento focar no primeiro filho. Não obstante não se iludam, muitas das questões aqui refletidas pode ocorrer em qualquer nascimento de filhos, não importando a ordem dos mesmos, isto é, se é o primeiro, segundo, terceiro... último. Claro que há nuances em ser o primeiro filho, segundo, terceiro... caçula ou último. Assim como há características, peculiaridades e nuances em ser o unúco menino ou menina em uma prole constituída pelo sexo oposto. Também é claro que provavelmente poderá haver diferenças o casal e da família em que o filho nasça. Enfim, são várias as variáveis intervenientes no tocante ao nascimento de um filho. Todavia, foquemos no exemplo do primeiro filho/filha.


Levantarei alguns tópicos para reflexão a respeito:

Parto normal: as posições que facilitam o nascimento do bebê ...O primeiro filho(a) provoca uma mudança inédita nos parceiros do casal: o surgimento da progenitura. A adição de um novo membro na família, tanto na conjugalidade quanto na família ampliada é uma mudança social, psicológica, emocional e afetiva em todos os envolvidos.

No tocante ao parentesco o eixo vertical move-se tanto para cima quanto para baixo (avós-pais-filho). Todos os membros de uma família ampliada avança um grau no sistema de relacionamentos. Contudo, nem todos membros podem ter mudanças funcionais, alguns podendo ficar em apenas mudanças nominais. Por exemplo: um irmão de um dos cônjuges que agora se torna tio (status), mas que não funciona como esperado funcionar um tio em relação ao seu sobrinho .

Sorriso Grávido Do Pai E Da Mãe Com O Estilo Dos Desenhos Animados ...O casal (díade) passa a ser agora um grupo de três (tríade). A diferença entre os cônjuges (personalidade, cultura familiar, gênero, Idade, temperamento, educação doméstica, ideologia e visão de mundo, etc.) passa a ficar mais nítida, podendo gerar situações de conflitos intrasistêmico (entre ambos) e intersistêmicos (em relação às famílias de origem).

Se o casamento representa um movimento centrífugo (afastamento/limite em relação às famílias de origem) , o nascimento do filho representa um movimento centrífugo (mais aproximação com as famílias de origem ou de uma delas).

Partilhas Parentais: MITOS E SEGREDOS FAMILIARESO nascimento de um filho, por mais desejado e ansiado que seja, provoca uma alteração na homeostase familiar.

A qualidade conjugal pode modificar (tanto melhorando quanto piorando).

Para alguns avós pode ser difícil ter que assumir uma papel secundário no relacionamento tanto com os filhos quanto com os netos.

SUGESTÃO DE LEITURA: 

Nascimento do primeiro filho: transição para a parentalidade e satisfação conjugal
http://www.uricer.edu.br/site/pdfs/perspectiva/152_595.pdf

Somos pais, e agora? A história de nós dois depois dos filhos
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-494X2015000100004

Paternidade: vivência do primeiro filho e mudanças familiares
http://pepsic.bvsalud.org/pdf/ptp/v13n1/v13n1a11.pdf


Construindo o Vínculo Pai-Bebê: A Experiência dos Pais

O nascimento do segundo filho e as relações familiares

Ah!, se toda a vida humana fosse assim...:




DIÁRIO DE AULA: FILHOS


FRALDAS, NINHO E CHUPETAS:
           A FAMÍLIA NUCLEAR COMPLETA              


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     Quem casa quer casa, diz o dito popular. Pois é, casamento parece representar a criação de um novo ninho, uma nova morada, uma nova família nuclear. Epa, perá aí! Mas desde o inicio não dizíamos que família nuclear era aquela constituída de um casal com filho(s)? Também não definimos, para efeito operacional da disciplina, que família era um grupo de pessoas ligadas por laços de parentesco que se incumbe da criação da prole...? Pois é, tá faltando algo. Tá faltando filhos ao casal. Claro que há casais que decidem não ter filhos, ou não podem e não querem adotar. Sim, é verdade. Mas a maioria das pessoas se casam não somente para casarem, mas para construírem eles mesmos suas próprias famílias, incluindo filhos. É como aquele quase mandamento bíblico: crescei e multiplicai-vos. Aliás, não só bíblico, afinal se crescêssemos e não gerássemos filhos não haveria humanidade.

Resultado de imagem para CHEGADA DO FILHO       Vamos, então, abordar a chegada de um filho ao contexto do casal. Onde antes eram dois (díade) agora são três (tríade). Isto se não muda tudo, muda muita coisas, afinal não é a toa que o nascimento dos filhos é uma das etapas fundamentais do ciclo de vida familiar. E não custa nada lembrar ao leitor um pouco esquecido que cada fase evolutiva do ciclo familiar de vida é um período de crise (crise normativa), no sentido adaptativo do termo.
   

O nascimento de um filho, e mais ainda do primeiro filho, é um acontecimento significativo no seio do casal e da família ampliada. Todo mundo acrescenta mais um grau de parentesco, ou seja, os cônjuges viram pais, os pais do cônjuges viram avós, os irmão dos cônjuges viram tios, e assim por diante.
        Para muitos a chegada do rebento é um momento maravilhoso, mas é igualmente um momento tumultuado em grau maior ou menor, dependendo das circunstâncias e do casal. Por mais que os futuros pais se preparem para a chegada do herdeiro, nunca nenhum adulto está plenamente preparado para as tarefas e funções que a progenitura nos traz. É necessário um tempo maturativo para que os membros do casal aprendam a lidar melhor com as novas competências. Engravidar e parir não acaba com a boa vida do casal, mas modifica radicalmente a vida antes vivida sem filhos. Digamos que não engravidamos e parimos apenas prole ou filhos, mas também uma nova forma de se viver.
        Maternidade e paternidade são vividas de maneiras diferentes. O pai, o homem do casal, frequentemente sente-se como que excluído de uma relação de maior intimidade e proximidade que é, inclusive, a maior relação de intimidade e proximidade que o ser humano pode ter: mãe-bebê. Filhos não só nascem, mas provocam mudanças na vida e na personalidade dos pais. Como pais eles terão a oportunidade de reverter suas próprias experiências de filhos, só que agora assumindo o outro lado da mesa, isto é, sendo eles (que um dia foram crianças, filhos) os pais dessa nova história que começa. Mas será que começa? Ou será que é uma continuação de uma história antecedente?

                O que sabemos é que na chegada de um filho tem ele, de início, três destinos:
                - há espaço afetivo para ele no seio do casal;
                - não há espaço afetivo para ele no seio do casal;
                - ele vem ocupar um espaço afetivo vazio no casal ou em um dos cônjuges.
                Enquanto na primeira hipótese há clara aceitação do filho e da paternidade e na segunda rejeição, a terceira é mais sutil e camufla a rejeição. Uma proximidade excessiva do casal ou de um dos cônjuges com o filho (superproteção, por exemplo), pode revelar que este filho vem para preencher um vácuo na vida dos adultos.
                Seja como for a chegada de uma criança representa tanto uma mudança social quanto psicológica no casal. O nascimento é cheio de mistérios, medos e fantasias. Após o parto o primeiro cenário que se tem é frequentemente é uma forte aproximidade recém-nascido e mãe (preocupação materna primária) e, de certo modo, uma exclusão desta simbiose materna-filial da figura do pai. Alguns pais têm que lutar por essa sensação de perda e exclusão, até que a família se acomode às mudança e vá encontrando um lugar para ele. A díade do casal muda seu eixo para uma díade mãe-filho, e finalmente transforma-se em uma tríade psicologicamente falando.
          A respeito do acima exposto, vide PATERNIDADE: VIVÊNCIA DO PRIMEIRO FILHO E MUDANÇAS FAMILIARES, de Márcia Jager e Cristiane Bottoli: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S1516-36872011000100011&script=sci_arttext.
                Resumamos a questão:
                - a chegada do primeiro filho geralmente mobiliza mais do que a chegada dos seguintes;
                - inaugura-se uma nova família (nuclear);
                - há uma mudança de status e de vida no casal;
                - o casal avança para uma nova etapa desenvolvimental (avança uma geração);
                - quem antes foi cuidado agora passa a ser cuidador;
                - as famílias de origem também acompanham o processo de transformação de novos papéis e funções familiares;
                - é preciso abrir um espaço físico e emocional para a chegada do filho;
                - reestrutura-se a base da família e os limites com as famílias de origem;
                - é necessário abrir espaço para as díades mãe-filho, pai-filho, marido-mulher;
                - cabe aos pais dos pais (agora avós) passarem a uma posição secundária, no sentido de permitir que seus filhos (agora pais) assumam e exercitem seus papéis e autoridade de pais;
                - não existe manual que ensine o casal a serem pais. Cada pai tem de aprender com seu filho a ser pai/mãe.

LEITURAS SUGERIDAS:

- GRAVIDEZ DO PRIMEIRO FILHO: PAPÉIS SEXUAIS, AJUSTAMENTO CONJUGAL E EMOCIONAL (http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722008000200002)

- A TRANSIÇÃO PARA A PATERNIDADE: DA GESTAÇÃO AO SEGUNDO MÊS DE VIDA DO BEBÊ 
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-65642009000200008

- MATERNIDADE E PATERNIDADE: A PARENTALIDADE EM DIVERSOS CONTEXTOS (Editora Casa do Psicólogo)



Joaquim Cesário de Mello


segunda-feira, 4 de maio de 2020

DIÁRIO DE AULA: CLÍNICA 1 - INTERVENÇÕES VERBAIS DO TERAPEUTA


Expressões da linguagem: texto verbal e não verbal - Ler e compreender



Como sabemos as psicoterapias transitam em um continuum que vai polo suportivo ao polo expressivo. As intervenções que faz o psicoterapeuta frente ao material (discurso/narrativa) do cliente/paciente também. São diversas as formas e maneiras de um terapeuta intervir junto ao discurso de seu cliente, entre elas:

Perguntas: visam interrogar o paciente, pedir a este dados mais precisos, amplificações e aprofundamentos de tópicos discursivos apresentados. Através de perguntas o terapeuta explora mais detalhadamente suas respostas. Em abordagens cognitivas-comportamentais, assim como em terapias mais dialetizadas, têm o questionamento socrático como uma das suas principais ferramentas/intervenções. Tal método não é restrito às abordagens cognitivistas, porém bastante utilizada pelas mesmas. Para melhor compreensão/estudo vide o artigo A relevância da técnica de questionamento socrático na prática Cognitivo-Comportamental, in: archhealthinvestigation.com.br
(Em psicoterapia, em princípio, todo pensamento é antes de tudo uma hipótese a ser testada/questionada. Essa é uma das principais funções da utilização de perguntas ao estilo socrático, independente do tipo de psicoterapia).

Clarificação: reformula o relato do paciente, de modo a que certos conteúdos e relações do mesmo adquiram mais relevo. É como se fossem um resumo ou síntese que objetiva desembaraçar o relato emaranhado do cliente.
Exemplo: T: “então tudo estava bem no trabalho até que seu colega lhe criticou e você, a partir daí, começou a duvidar do que estava fazendo, e esta dúvida serviu para alterar o seu rendimento. É Isso?”

Psicoterapia - Uma Abordagem Dinâmica - Paul Dewald - Traça ...

Confrontação: intervenção que visa dirigir a atenção do paciente às suas contradições apresentadas (incongruências cognitivas, afetivas, comportamentais). Segundo Paul Dewald. em seu livro Psicoterapia: uma abordagem dinâmica, “é outra forma de intervenção muito ativa, na qual o terapeuta dirige a atenção do paciente a algo consciente ou pré-consciente eu expressou, mas que prestou pouca atenção naquele momento”. A confrontação busca, assim, indicar e mostrar semelhanças ou diferenças de certas partes do material/discurso.



Assinalamento: tem dois sentidos. Mostrar relação entre dados ou aspectos do discurso, bem como o de destacar certo trecho do mesmo (comumente também chama-se “pontuar”).

Sugestão: intervenções diretivas, podendo ser usadas com objetivo de incentivo a algo à título de experiência, por exemplo.

Recapitulação: uma espécie de resumo de pontos essenciais de uma sessão ou de um conjunto de sessões.

Reconstrução: uma espécie de interpretação onde o terapeuta reconstrói lacunas do discurso do paciente, dando-lhe uma compreensão racional da gênese de seus conflitos ou de sua biografia. Há um texto de Freud, Construções em Análise, escrito no final de sua vida em 1937 (disponível in: https://www.passeidireto.com/arquivo/5726878/freud-construcoes-em-analise-1937), onde ele diz que o terapeuta completa aquilo que o paciente não consegue lembrar do seu passado.

Validação egóica: elogios e enaltecimentos que visam reforçar certas atitudes ou pensamentos/sentimentos do cliente.

Validação Empática: intervenção que visa compreensão dos afetos e das atitudes e comportamentos do paciente/cliente a partir de seus pontos de vista. Tipo: entendo como você se sente.

Contraversão: dialetizar o discurso do paciente/cliente, contrapondo algo em seu sentido contrário. Busca-se o antagonismo para se alcançar à síntese, ou seja, a ambivalência (Posição depressiva, no linguajar kleiniano).

Psicoeducação: informar teoricamente/estatisticamente sobre algo.

Interpretação: tornar consciente algo que está inconsciente no cliente/paciente. Visa o latente por detrás do discurso manifesto.

OBSERVAÇÃO: não confundir intervenções frente ao material discursivo com emprego de técnicas e procedimentos. As intervenções, que aqui estamos dando destaque, são manejos dialogais e comunicacionais que faz o terapeuta no tocante ao material narrativo (verbal/não verbal) do seu paciente. Exposição em imaginação, rolling play, modelagem, cartões de enfrentamento, etc, são exemplos de emprego de recurso técnicos, aliados às intervenções verbais acima relatadas.

Seja como for. Toda vez que o terapeuta intervém verbalmente sobre o discurso do cliente está ele promovendo alguma mudança no rumo narrativo do mesmo.

SUGESTÃO DE LEITURA:

No Processo Terapêutico as intervenções do terapeuta são instrumentos essenciais porque são agentes de mudança, in: https://pt.scribd.com/document/181059081/No-Processo-Terapeutico-as-intervencoes-do-terapeuta-sao-instrumentos-essenciais-porque-sao-agentes-de-mudanca


Momentos-chave e natureza das intervenções do terapeuta em psicoterapia breve psicodinâmica, in: https://www.scielo.br/pdf/pusf/v19n2/a06v19n2.pdf

Caso Vera: intervenções do psicoterapeuta e aliança terapêutica, in: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-389X2016000400002

domingo, 3 de maio de 2020

DIÁRIO DE AULA FAMÍLIA: TRABALHO PARA AVALIAÇÃO 2ª CP

Assista o filme abaixo, A MORTE INVENTADA, e responda as seguintes questões:
Link: https://www.youtube.com/watch?v=MauAOg4dIco




1) Por que o documentário leva o título de "A Morte Inventada";

2) No depoimento de Rafaela ela diz: "parecia que eu tinha que ter uma certa cumplicidade com minha mãe. Se eu achasse legal sair com meu pai era como se eu tivesse traindo minha mãe". Como você entende isso?

3) No depoimento de Hélio ele diz: "na hora que você retira o ser querido de uma família, sem nada, sem prova de nada, você causou, já está causando, uma penalidade das mais cruéis e desumanas contra àquele genitor, contra àquela família, e principalmente contra àquela criança que não tinha condições de se defender, nem defender seu pai ou sua mãe, dependendo do caso". Reflita sobre os possíveis impactos psicológicos e consequências que pode sofrer uma criança em tal situação. 

4) Como você vê, à luz do documentário, a atuação dos profissionais de Psicologia, Serviço Social e Direito, frente a conflitos familiares geradores de alienação parental.

ENCAMINHAR ATÉ O DIA 25/05/2010, PARA O MEU EMAIL: jcesariomelo@bol.com.br