terça-feira, 19 de maio de 2020

DIÁRIO DE AULA: CLÍNICA I - INSIGHT E ELABORAÇÃO

Gestalten - Grupo de Gestalt-terapia de Natal - Página inicial ...






O termo insight surgiu no campo da Psicologia através do psicólogo alemão Karl Bühler (1879-1963), conhecido por seu trabalho na Psicologia da Gestalt. Tal palavra tem origem no inglês arcaico e é formada pelo prefixo "in" (dentro) + substantivo "vista", isto é, visão interior. Insight, portanto, tem o sentido de "clareza súbita" ou "compreensão interna". 

Introspecção: O exercício interior! | Alimento DiárioStrictu sensu insight representa o momento em que tomamos consciência de algo até então não consciente. Assim sendo, insight implica introspecção e autoconhecimento. Através, pois, do insight, um indivíduo compreende o que motiva seu comportamento, pensamento e sentimentos. 

Discernimento « Regional Sul 3 da CNBB




Devido a tradução inicial para o português das obras completas de Freud ter sido tirada da edição inglesa, o termo insight aqui popularizou-se (Freud em alemão usava termos como  Einblick (discernimento), isto é, "capacidade de discernir a verdadeira natureza de uma situação", ou como Einsicht (que em alemão significa realização que envolve conexões complexas). Seja como for, o termo insight é muito utilizado para o momento das descobertas das verdades internas escondidas.

Em princípio é muito comum algumas pessoas confundirem a aquisição de insights à mudança. Todavia, a questão não e tão simples assim.

Insights - ONCLICK


Evidente que insight é uma operação psíquica que envolve a cognição. Porém, somente insight intelectual pouca força tem para provocar mudanças significativas no interior do psiquismo humano. É necessário que tenha também aspectos emocionais e afetivos envolvidos. Neste sentido, pode-se dividir o insight em intelectual e afetivo. Ou, como sugeriu Richfield, em insight descritivo (verbal/cognitivo) e insight ostensivo (cognitivo e afetivo ao mesmo tempo). Somente insight afetivo é algo que se assemelha à ab-reação (pura descarga emocional), para que o insight seja efetivo, como refere Etchegoyen, ele terá que intelectual-afetivo (ostensivo).

Essa é a questão. O que faz um insight ser efetivo, ou seja, transformar-se em mudanças interna/externa?

O PODER DA MUDANÇA: um insight pessoal - Cuidar e Se CuidarDo ponto de vista psicodinâmico/analítico, o processo de mudança psíquica mediante o insight tem dois momentos distinto, porém sequenciais e interligados: o momento do insight propriamente dito e o momento da elaboração (todavia há teóricos que sustentam o contrário: primeiro a elaboração, para depois o insight). Seja como for, mudança implica em insight e elaboração. Segundo Ralph Greenson, "a meta da elaboração e tornar o insight efetivo". Mas, o que é elaboração.

Tiago Malta - Psicólogo: Resenha para o texto Recordar, repetir e ...O conceito surgiu no início do século XX e foi entendido, com a evolução conceitual do mesmo, por Freud como instrumento terapêutico no combate às resistências do paciente/cliente. Em 1914 escreveu ele seu famoso texto "Recordar, Repetir e Elaborar". Nele Freud reconhece que não basta o terapeuta mostrar ao paciente suas resistências, mas que ele necessitaria tem um tempo para processar (elaborar) o seu agora conhecimento sobre às resistências. Neste sentido, percebe-se que o processo de avançar sobre as resistências implica dois tempos: a da aquisição de insights (curto) e o do processo elaborativo dos mesmos (longo). 

Como lidar com as mudanças? | Psicólogo em São PauloPelo acima exposto, podemos dizer que uma psicoterapia focada em insights é de fato uma psicoterapia de mudança se baseada no processo de elaboração dos insights adquiridos. Dentro dessa perspectiva, enquanto um insight representa um instante/momento ("clareza súbita"), o processo elaborativo do mesmo representa um silencioso desenvolvimento interior do insight obtido. Segundo Sérgio Lewkowick (In: Psicoterapia de Orientação Analítica, capítulo Algumas Considerações Sobre o Processo de Elaboração na Psicoterapia), "o trabalho de elaboração nãopode ser observado diretamente. É através das mudanças os pacientes que ele pode ser apreciado e essas mudanças podem ser observadas em vários contextos". 

Vamos resumir, então, a questão: entre o insight (ou vários insights) e a mudança psicológica e comportamental do efetiva do sujeito, existe um intervalo temporal (muitas vezes longo e árduo), denominado de elaboração

Deixo com vocês, portanto, alguns textos que podem contribuir a melhor subsidiar o conhecimento de tal dinâmica:

A via sensível da elaboração. Caminhos da clínica psicanalítica http://www.cprj.com.br/imagenscadernos/caderno23_pdf/07-A%20VIA%20SENSIVEL_DANIEL%20KUPERMAN.pdf

O estudo do insight pela análise do comportamento

Fundamentos da mudança psíquica: recursos para o manejo técnico em psicoterapia breve

Processos de mudança em psicoterapia: Intervenções do terapeuta, insight e personalidade do paciente

sábado, 16 de maio de 2020

CLÍNICA I: EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO

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1)      Qual das alternativas abaixo é incorreta:
A)     A clarificação é uma intervenção que contribui para preparar o ego do paciente para futuras interpretações.
B)      Assinalar é uma forma que tem o terapeuta para chamar a atenção do ego do paciente/cliente sobre componentes significativos do discurso manifesto do mesmo.
C)      Recapitular é uma forma de resumir o discurso apresentado pelo paciente/cliente, estimulando, assim, o desenvolvimento de uma capacidade de síntese.
D)     Interpretar é falar de algo que o paciente/cliente não estava falando, porém que o terapeuta assim o faz para manifestar suas certezas sobre o que se passa com o mesmo.
E)      Confrontar é uma maneira de levar a atenção do paciente/cliente sobre elementos de sua experiência de comportamento ou pensamentos que se apresentam dissociados ou incongruentes em seu material discursivo.

MINISTÉRIO PÚBLICO DE ALAGOAS/2012
2)      Embora o paciente traga o material sob a forma de associações livres, cabe ao terapeuta endereçar a atenção para o exame do conflito principal, que constitui o foco. Assim, o uso de perguntas, clarificações e confrontações é muito frequente neste tipo de tratamento, ao lado de interpretações que são basicamente extratransferenciais e dirigidas ao foco.

(              ) CERTO               (              ) ERRADO

PREFEITURA DE PRESIDENTE PRUDENTE (SP)/2016


3)      Durante uma sessão de psicoterapia individual, uma psicóloga clínica recorta elos de uma sequência de fatos apresentados por seu paciente, chamando a sua atenção para componentes significativos dessa experiência que, habitualmente, não são identificados por ele. Esse tipo de intervenção é denominada

A) interpretação.
B) interrogação.
C) assinalamento.
D) validação empática.
E) confrontação.


UFMG/2017

4)      Numere a COLUNA II de acordo com a COLUNA I, associando as intervenções verbais às suas características.
COLUNA I
1. Clarificar
2. Recapitular
3. Assinalar 
4. Interrogar

COLUNA II
( ) Pedir ao paciente dados precisos, ampliações e aclarações do relato.
( ) Resumir pontos essenciais que aparecem no processo exploratório de cada sessão e do conjunto do tratamento.
( ) Marcar relação entre dados, sequências, constatações significativas, capacidades manifestas e latentes do paciente.
( ) Reformular o relato do paciente de maneira que certos conteúdos e relações dele adquiram maior relevância.
Assinale a sequência CORRETA.
A.1 3 2 4
B.1 2 3 4
C.4 3 2 1
D.4 2 3 1

5)      O terapeuta faz a seguinte intervenção:
“você começou falando que se achou um fiasco na apresentação de seu trabalho na faculdade, porém agora me diz que tirou uma das melhores notas na disciplina. Como você vê isso?”
Este é um tipo de intervenção denominada de:

A)     Interpretação
B)      Pergunta
C)      Confrontação
D)     Assinalamento
E)      Clarificação

6)      Quando um terapeuta solicita ao paciente/cliente que este registre o que pensa quando sente medo ou fica ansioso frente a uma situação social, tal intervenção sugestiva visa o mesmo a focar nos seus aspectos:

A)     Cognitivos
B)      Afetivos
C)      Comportamentais
D)     Instintuais
E)      Desejantes


7)      Descreva como você entende esse exemplo de intervenção por parte do terapeuta:

“Que teria acontecido de você a interrompesse e dissesse o que me falou agora, como acha que ela teria reagido?”

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sexta-feira, 15 de maio de 2020

FAMÍLIA - EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO

Conheça a avaliação por objetivos - Portal

1)      Qual das afirmativa abaixo não corresponde à maioria da realidade que acomete um casal quando do nascimento do primeiro filho:

A)     A díade conjugal agora se transforma em uma tríade.
B)      O nascimento do(a) filho(a) provoca geralmente um movimento centrífugo.
C)      O nascimento do(a) filho(a) provida geralmente um movimento centrípeto.
D)     O surgimento de um filho no contexto da conjugalidade provoca uma alteração na homeostase familiar.
E)      As diferenças individuais/sócio/culturais de cada um dos cônjuges tendem a ficar mais nítida.

2)      Qual das alternativas abaixo é correta:

A)     A transição para a parentalidade exige que o casal, além de aceitar o novo membro no sistema, crie espaço para o filho e para os papeis de pai e mãe.
B)      O nascimento de um(a) filho(a) ratifica a relação conjugal, que antes é a única existente no núcleo familiar.
C)      Segundo Carter e McGoldrck (ciclo de vida familiar) a chegada de um(a) filho(a) no contexto familiar pouco exige mais mudanças adaptativas físicas ambientais do que psicológicas.
D)     O nascimento do(a) primeiro(a) filho(a) apenas provoca um avanço evolutivo.
E)      Após o nascimento de um(a) filho(a) provoca que o papel conjugal seja colocado em segundo plano, mesmo após o período inicial adaptativo.

3)      Quantos erros existe(m) no seguinte trecho: “o nascimento do primeiro filho e com ele o do subsistema parental repercute em várias áreas da conjugalidade, exigindo mudanças e adaptações, tanto no nível individual quanto no nível relacional” (Eliane Duarte e Eliana Zordan).

A)     Um
B)      Dois
C)      Três
D)     Quatro
E)      Nenhum

DEFENSORIA PÚBLICA (RJ)/2014
4)      a função parental não está contida no sexo e sim na forma como os adultos que estão no lugar de cuidadores lidam com as questões de poder, hierarquia e disciplina no relacionamento com os filhos.
(              ) CERTO               (              ) ERRADO

5)      Na visão winnicottiana, no início da vida o ambiente é representado pela mãe, sendo fundamental para a constituição do self o modo como ela toca seu bebê, o movimenta, o aconchega, fala com ele, pois este cuidado promove para o bebê uma continuidade entre o inato, a realidade psíquica e um esquema corporal pessoal. Na etapa inicial de desenvolvimento a questão primordial é a presença de uma mãe-ambiente confiável que se adapte às suas necessidades de maneira virtualmente perfeita.

(              ) CERTO               (              ) ERRADO


MINISTÉRIO PÚBLICO (BA)/2017


6)      Muitos foram os autores em psicologia e psicanálise que se dedicaram a estudar os cuidados maternos e suas repercussões para o desenvolvimento emocional, tendo o psicanalista D. W. Winnicott se notabilizado por sua vasta contribuição nessa área.
São conceitos desenvolvidos por esse autor:

A)     a mãe suficientemente boa e a teoria do apego;
B)      o estágio do espelho e a síndrome de hospitalismo;
C)      a posição esquizoparanoide e o objeto transicional;
D)     falso e verdadeiro self e o holding;
E)      o fenômeno transicional e a inveja primária.

TRIBUNAL DE CONTAS (PA)/2016

7)      Winnicott propõe que as interferências na relação mãe-bebê podem provocar distúrbios de personalidade e do desenvolvimento.]

(              ) CERTO               (              ) ERRADO

8)    Bion usou o termo rêverie para designar a capacidade da mãe (ou do psicanalista) de permanecer em uma atitude de poder receber, acolher, descodificar, significar, nomear as angústias do filho (paciente) e, somente depois, então, poder devolvê-las devidamente desintoxicadas.
(              ) CERTO               (              ) ERRADO
9)      Qual da alternativas abaixo é incorreta:

A)     A função materna não apenas possibilita a sobrevivência do lactante, mas igualmente é essencial para a organização psíquica da criança pequena em formação. É a partir dessa relação primária que o sujeito humano partirá, posteriormente, para se lançar no mundo. Notável, pois, a importância fundamental da mãe nos primeiros instantes constitutivos do funcionamento mental e sua influência vida a fora.
B)      Dentro da perspectiva winnicottiana todo ser humano traz consigo um inato potencial ao crescimento e muito dependerá do ambiente que poderá ser facilitador ou dificultador ao amadurecimento.
C)      Vários estudos recentes demonstram uma grande influência da mãe e/ou do cuidador primário no desenvolvimento neurobiológico e psicológico da criança. A mãe parece tamponar os fatores estressantes dos meios interno e externo do bebê1,2. Essa proteção, associada a estímulos táteis, visuais e auditivos, assim como à tradução e satisfação das necessidades do bebê, possibilitará o desenvolvimento de capacidades positivas pré-programadas geneticamente.
D)     a falha persistente na manipulação dos bebês nos primeiros meses de vida, principalmente a falha de um olhar responsivo da mãe e de um falar com o bebê, contribui para desenvolver adequadamente conexões neuronais

10)   Antes da criança nascer ela já existe no ambiente psicológico dos indivíduos que constituem o casal.
(              ) CERTO               (              ) ERRADO



quinta-feira, 14 de maio de 2020

DIÁRIO DE AULA - FAMÍLIA: FUNÇÃO MATERNA

FUNÇÃO MATERNA
              Bebê sozinho não existe, já afirmava Winnicott. Com essas palavras ele enfatizava que não poderia haver bebê sem mãe, afinal o ser humano recém-nascido é completamente desaparelhado à sobrevivência, necessitando absolutamente de um terceiro que lhe cuide e atenda às suas necessidades, inclusive as mais primárias e elementares. A pessoa que assim o faz é aquela que exerce não somente o papel materno, mas a função materna. Para fins de simplificação, chamemos essa pessoa de MÃE.
Workshop – A Construção do Vínculo Mãe-Bebê ao Longo da Gestação ...                A função materna não apenas possibilita a sobrevivência do lactante, mas igualmente é essencial para a organização psíquica da criança pequena em formação. É a partir dessa relação primária que o sujeito humano partirá, posteriormente, para se lançar no mundo. Notável, pois, a importância fundamental da mãe nos primeiros instantes constitutivos do funcionamento mental e sua influência vida a fora.
              O melhor exercício materno (mãe suficientemente boa) é aquele em que a mãe saber dosar o amor que ele sente pelo filho com as necessidades deste ter seus limites, bem como ajustar e harmonizar seus desejos de proteger o filho pequeno e de libertá-lo gradualmente à medida que ele cresce rumo à independência e à autonomia. Podemos até dizer que o desenvolvimento humano é uma caminhar da excessiva proximidade com a mãe e o desligar-se desta. Separar-se da mãe não significa abandonar de fato a mãe, mas sim psicologicamente não mais necessitar tanto dela.
                A função materna é uma função de holding (vide conceito winnicottiano), que corresponde ao amparo que se dá ao bebê, tanto fisicamente quanto psicologicamente. O dar o colo é mais do que amparar a criança junto ao seio. É proteger, como uma espécie de para-raios, a mente vulnerável e rudimentar infantil dos inúmeros estímulos geradores de ansiedade e inquietação. 
          A relação matricial humana (mãe-filho) é, ou deveria ser, um ambiente psicologicamente acolhedor para o bebê. Mas, para que tal aconteça, é necessário uma mãe emocionalmente equilibrada e estável. Uma mãe não comprometida narcisicamente, isto é, que não necessite de seu filho para preservar sua autoestima. Uma mãe comprometida pela depressão, por exemplo, gerará desequilíbrio a esta relação materna-filial e não conseguirá corresponder ao seu papel de ambiente acolhedor. Assim ocorrendo não teríamos somente prejuízos marcantes ao desenvolvimento psicológico infantil, mas também neurofisiológico. Ambos déficits tendem a gerar repercussões a médio e a longo prazo. Vide artigo EFEITOS DA DEPRESSÃO MATERNA NO DESENVOLVIMENTO NEUROBIOLÓGICO E PSICOLÓGICO DA CRIANÇA, de Maria da Graça Motta, Aldo Lucion e Gisele Manfro: http://www.scielo.br/pdf/rprs/v27n2/v27n2a07.pdf
A reciprocidade entre mãe e filho (bebê) é fundamental e relevante. À guiza de exemplificação veja abaixo a experimentação que o psicólogo americano Edward Tronick denomina de still face (rosto impassível):




Os meses e anos iniciais de vida do ser humano compõem um período sensível e crítico ao desenvolvimento do mesmo. É neste período inicial que iremos adquirir nossas primeiras informações afetivas, cognitivas e sociais. Como descreve o supramencionado artigo “em humanos, a privação materna pode ocorrer mesmo sem a intenção da mãe de prejudicar o bebê, como, por exemplo, em decorrência da depressão pós-parto (DPP). A DPP pode favorecer a ocorrência tanto de abuso quanto de negligência principalmente quando  os  sintomas depressivos forem persistentes. As mães deprimidas mais frequentemente mantêm um padrão de comportamento intrusivo ou retirado (ausente emocionalmente) , danoso para a criança”.
             Winnicott, pediatra e psicanalista inglês, muito contribuiu para o entendimento da dinâmica relacional mãe e filho. Dentro da perspectiva winnicottiana todo ser humano traz consigo um inato potencial ao crescimento e muito dependerá do ambiente que poderá ser facilitador ou dificultador ao amadurecimento. Possíveis dificuldades da mãe (que para um recém-nascido é o ambiente) geram atrapalhos ao processo de amadurecimento rumo a futura autonomia. O olhar psicológico da mãe é fundamental e uma mãe suficientemente boa olha seu filho como algo diferente dela (em termos narcisistas, é claro).

                Ainda dentro da perspectiva winnicottiana somos inicialmente uma não-integração (o ego ainda não está integrado). Nesta não-integração necessitará de uma mãe/ambiente que funcione como continente às suas angústias e ansiedades várias. As respostas empáticas geradas pela mãe, segundo Winnicott, muito dependerá de sua condição em exercer uma “preocupação materna primária” (vida conceito). E é a partir dessa capacidade de a mãe se identificar com seu filho que ela também poderá exercer com maior eficiência o holding, principalmente devido a sua maior sensibilidade para com as demandas do infante.
O bebê idealizado X o bebê real | Temos que falar sobre isso - TQFSI       Antes de uma criança nascer ela já existe. Existe na mente consciente e/ou inconsciente dos pais. Antes de uma mãe vir a ser mãe, ela foi primeiramente um filho(a). Embora não nos lembremos nosso psiquismo e nosso cérebro registram a imagem (imago) do bebê que um dia fomos, assim como registra a imagem (imago) da mãe que tivemos e da relação que um dia tivemos entre ela e nós. E não somente a vaga ideia (registro mnêmico) do filho que já fomos e da mãe que já tivemos, mas também da mãe e do filho idealizados. Ferida nascisistas na infância da mãe de hoje ressoam por detrás e além dos sentimentos e gestos maternos.
                Evidente, mais uma vez, que não conseguiríamos em um curto espaço de um blog explicitar a profundidade de uma relação tão primordial como esta. Alguns textos complementares podem nos ajudar, tais como:

- UMA CRIANÇA EM BUSCA DE UMA JANELA: FUNÇÃO MATERNA E TRAUMA 
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-71282006000100003

- O DISCURSO PARENTAL E SUA RELAÇÃO COM A INSCRIÇÃO DA CRIANÇA NO UNIVERSO SIMBÓLICO DOS PAIS(http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S1414-98932004000300006&script=sci_arttext)

- AMOR E ÓDIO – A AMBIVALÊNCIA DA MÃE, editora Companhia de Freud.

- A SOMBRA DA MÃE, editora Livraria Martins Fontes.
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PS: e tudo que você possa ter acesso dentro da perspectiva winnicottiana. Pesquisar, pois...
Vide vídeo abaixo:



Joaquim Cesário de  Mello