sexta-feira, 16 de novembro de 2012

CESTA DE VERSO & PROSA

BOA NOITE, MAMÃE




       “Boa noite, durma bem". Era com essas brandas breves palavras que sua mãe encerrava o dia, como em todos os dias, apagando a luz e encostando com leveza a porta do quarto. O menino em sua perplexa mudez não lhe dirigia de volta respostas, pois ela não fazia perguntas, apenas assinalava com enérgica determinação o exato momento em que fechava os espaços, trancafiando-o isolado em sua costumeira solidão noturna. Era uma frase terrível aquela que sempre antecedia anunciante o horror que logo se seguia ao surgimento das horas sem brilho, tão sombrias e tenebrosas quanto a métrica parte que lhe cabia na casa adormecida dos rumores diurnos. Prometera-se, à boca calada, que quando filho tivesse jamais a ele a pronunciaria, na ânsia dos pais em cedo amadurecerem os filhos, muito embora, quando estes chegarem ao tempo de visitarem outros leitos, persistisse - em seus agora chamados velhos - o indocicado sabor das recordações encobridoras das vacâncias dos quartos ao lado. O gosto das reminiscências é o vestígio ainda não apagado das coisas passageiras, enquanto a nossa natureza pelas permanências aprimora a fatalidade dos desgostos, afinal o que em nós continua é somente o que foi instituído pelos caprichos da memória. A ausência é a essência das lembranças.
       Porém, à época em que o menino ainda idealizava filhos vindouros, como quem aguarda em tocaia sonhos aos quais entregasse por inteiro seu espírito e suas inquietudes aos embalos incoerentes dos devaneios substitutos da vigília, soterrava o desejo pela ida à cama dos pais embaixo de toneladas de medo. Logo este afeto primitivo, com o qual viemos à vida, que em seu impensado peso nos fixa ao chão do instante como as profundas raízes das estátuas públicas de mármore. Por mais que a realidade e seus breus lhe assustassem o peito onde arfava palpitante o ímpeto de se apaziguar em meio aos seus, era maior o temor de se aproximar da cama de casal que a ele era imensa e sólida, ornamentada em robusta madeira maciça de lei, lugar que, com certeza, pensava, suportaria abrigar todas as crianças do mundo e o peso de seus sustos. Assim, por receio que lhe impedissem o assentamento junto aos corpos alheios (de expulsão já bastava o útero), trocava as hesitações e as rejeições pré-maturas pelas assombrações habitantes do quarto escuro. O assobio das brisas invernais e o esvoaçar sobressaltante das cortinas bailantes frente a entreabertura das janelas, acenavam fantasmas de sombras e gemidos, que nem o vedar das pálpebras evitaria - o negrume sombrio do quarto muitas vezes era preferível à escuridão sem cor dos olhos fechados. Na rua, cachorros uivavam sentimentos inumanos enquanto o menino em sua cama escutava ruídos de menino.
       Longos são os anos que separam o menino do adulto. Não mais existem os pavores infantis, abandonados naquele quarto onde hoje possivelmente dorme algum outro menino. Sequer restou a cama de casal proibida e seus residentes. Por que haveria ele de temer agora ilusórios espectros noturnais se os fantasmas de suas perdas perambulam até mesmo à luz do sol? O menino formado homem sabe que a substância do medo é perene e dela é feita a solidão, o que muda é a sua aparência e a sua superficial presença. Talvez por isso os mortos virem assombrações: quando pequenos, tememos a invisibilidade das trevas e a cegueira da escuridade, esvanecidos reaparecemos indefinidos para sermos vistos, pois morrer não é perder vida, é desaparecer, e o exercício da eternidade bem pode ser o de espantar o sono das crianças, nesses tempos desérticos em que a saudade ocupa o vazio deixado no rastro da sonoridade impronunciável de um simples breve "boa noite".


Joaquim Cesário de Mello

terça-feira, 13 de novembro de 2012

LITERALPÉDIA


ARRASTÃO DE PIRIGUETES

Estudos sociológicos apontam que uma nova espécie de mulher está surgindo. Teorias relacionam o seu surgimento em regiões da Bahia, do Rio de Janeiro, São Paulo e vem se disseminando em todo país, principalmente nas Capitais. Falamos da epidemia de piriguetes. A etimologia da palavra é a junção das palavras: piranha, peguete, perigosa (por isso que para alguns autores a forma correta de se escrever é (“periguetes”). Essa epidemia, não respeita classe social, econômica ou mesmo as mudanças climáticas (donde surgiu a frase “piriguetes não sentem frio”). Estudos apontam que elas tendem a se alastrar na noite (especialmente quando a palavra noite é pronunciada em inglês, na night – na verdade, a influência da língua inglesa no piriguetismo é incontestável: raves, ices, faces, fakes, sexy, Miame, New York) reproduzem fora e dentro de cativeiros. Quanto as características de sua personalidade, ainda inclassificável, estudiosos a relacionam às boderlines do bem, ou histéricas do mal, ou sociopatas com princípios (mas contudo, sem fim).
A grande preocupação das autoridades é capturá-las e, mais uma vez, trazê-la ao convívio social diurno sem ameaçar a integridade psíquica e, principalmente, física das outras pessoas sejam elas mulheres, homens ou preferencialmente maridos e namorados. Baseado nisso, o literalmente, na coluna Literalpédia,   traz a público um instrumento identificador de um ser tão ameaçador... Afinal, você é uma piriguete?



Responda uma alternativa de cada questão: 

1. Anote sua altura num papel. Após a medição, retire o sapato:
  1. “Estou quatro centímetros mais baixa”
  2. “Estou 10 cm mais baixa”
  3. “Estou 20 cm mais baixa”
2. Anote no mesmo papel a cor dos seus cabelos e depois em seguida a cor de seu cabelo há um ano:
  1.  São da mesma cor
  2. São de cores diferentes
  3. Tem atualmente duas cores simultâneas

  1. Seu Tipo físico, de acordo com seus amigos:
  1. Mignon
  2. Filé
  3. Popozuda

  1. Seu tipo físico, de acordo com suas amigas:
  1. Magricela
  2. “Normal”
  3. Cheinha.
5. A palavra Coliseu se refere
A. a um cinema antigo da cidade
B. uma edificação da Roma Antiga
C. a uma casa de Forró que será inaugurada
  
6. Interprete a frase: “Sandy arrasou Manhattan”
A. Um tipo de soverte está na moda nos Estados Unidos
B. Um furacão devastou Nova Iorque
C. Uma cantora fez sucesso num restaurante (“só não fui porque Junior não veio!”)

7. Uma junção de anéis circulares sobrepostos simbolizam:
A. as olimpíadas
B. as alianças de casamento
C. a logomarca do automóvel Audi

8. Uma maçã mordida simboliza:
  1. O pecado original
  2. Um disco dos Beatles
  3. Um Iphone (“o do meu amigo já é o 5s!!!!"                                                                                                                

9. Quando nos referimos ao tufão, estamos falando de
  1.  Um fenômeno metereológico
  2.  Um corte de cabelo
  3.  Um personagem de novela 

10 .Você está em um relacionamento?
A. sim
B. não
C. até ontem

11. Qual a frase famosa de D. Pedro I que mais parece com sua personalidade:
A. “independência ou morte”.
B. “já podeis a pátria, filho”.
C. “diga ao povo que fico”.

 12. “Um homem de bem” é aquele:
A. Que tem bom caráter
B.Que é solidário
C.“Epa! Essa frase está errada: homem de bens” – né, meu bem?”

13. Uma característica do seu amor:
  1. Sincero
  2. Fantasioso
  3. Real
14. Beleza interior é:
A. Ter uma alma grande em detrimento da estética
B. Não dar importância ao físico
C. Ter uma fazenda em Gravatá
  
15. Uma pessoa com Plataforma:
  1. Tem um projeto profissional
  2. Tem um projeto político
  3. Tem 20cm a mais... 
16. O namorado de sua melhor amiga é:
A um chato
B.. simpático
C. mau caráter e safado. Mas um gato.

17. A quem pertence à frase “é dando que se recebe”
a. a Santo Antônio
b. a são Francisco de Assis
c. a Sunshine.

autoridades desbaratam mais uma gangue de piriguetes. A vítima era portador de um Iphone 5  e uma BMW X3

Avaliação:

  • Se você marcou a maioria A seguido de B: sem risco de contágio. Você tem imunidade congênita contra o piriguetismo, recomenda-se procurar um especialista para saber se seus hormônios não estão um pouco abaixo.
  • Se marcou a maioria A seguido de C:  há risco de contaminação relativa. Procure estudar para um concurso público.
  • Se marcou a maioria B seguido de A. você é uma pessoa contida. Caminhe no parque da Jaqueira de manhã até às 8h – nunca à tarde ou à noite
  • Se marcou a maioria B seguido de C: você está numa situação de risco. Recomendamos ouvir A Voz do Brasil e ler o diário oficial.
  • Se você marcou C seguido de A: Piriguete nível I com algum comprometimento de inteligência. deve ficar de quarentena (veja bem: ficar de quarentena... e não ficar com o quarentão)
  • Se marcou C seguido de A: alto risco de contágio especialmente quando se      pronuncia a frase: “e aeeeeêêê, pessssssoas!”
  • Se marcou todas C: piriguetismo evolutivo irrecuperável... Tendência a comportamentos dementes na senilidade (com expressões e vestimentas ridículas).

Seguiremos em momento oportuno trazendo a palavra dos especialistas  



sábado, 10 de novembro de 2012

GABARITO DO TESTE DA TERÇA

Acabou sua ansiedade. Abaixo as respostas ao teste da terça passada.

1)   B
2)   C
3)   B
4)   A
5)   A
6)   C
7)   A
8)   A
9)   B
10) B
11) C
12) A
13) B
14) C
15) C
16) C
17) A
18) B
19) C
20) C
21) A
22) C


Se você acertou todas então você é entufado de conhecimento inútil;
Se você acertou quase todas então você é um cara até versado no treco;
Se você errou mais do que acertou então você tem salubridade mental;
Se você errou tudo então deve continuar lendo o Literalpédia.


sexta-feira, 9 de novembro de 2012

CESTA DE VERSO & PROSA

Paixão 

Estive lendo um poema de Ferreira Gullar (O que se foi) que, aliás, já li muitas vezes e que marcou minha existência. Surpreende-me, ainda, a tradução, com tanta clareza, da ambivalência dos desejos e dos sentimentos em tão poucas linhas... 
A paixão nos faz vivenciar, em muitos casos, a sensação de estar dividida, entre tantas outras, com a surpresa de poder trazer o sentimento à tona e, com a surpresa de, mesmo assim, não vivê-lo plenamente (como gostaríamos).

Poema:

O que se foi


"O que se foi se foi. Se algo ainda perdura é só a amarga marca na paisagem escura.
Se o que se foi regressa, traz um erro fatal: falta-lhe simplesmente ser real.
Portanto, o que se foi, se volta, é feito morte.
Então por que me faz o coração bater tão forte?

Então pensei: o sentimento nos faz viver e morrer (simbolicamente) ao mesmo tempo e por mais que já tenhamos passado, em algum momento da vida, por algo parecido, nos surpreendemos.
Pensei também, como a vida nos traz surpresas (paixões)... 
Algumas dessas surpresas vêm como dádivas outras como fardos.
As reviravoltas, que vem com essas surpresas, são necessárias. Esquentam o sangue! Enchem-nos de coragem para vivermos os novos desafios! Faz-nos perceber que podemos ir além! (Não duvidemos disso)

Viver uma paixão platônica... Ah! Quão intenso o sentimento... E, de igual modo, é vivido intensamente, mesmo individualmente... O coração dispara, a mão gela, vem o frio na barriga e todos os outros indícios que nos alertam da iminência desse vulcão que transborda o fervor das mais avassaladoras lavas que reviram tudo dentro de nós, fazendo com que não nos reconheçamos diante das situações mais simples! 

Paixão faz a gente repensar princípios valores pessoais, morais, éticos, enfim, tudo aquilo que é enraizado, tão arraigado que parece que não existimos sem. Tais conceitos, podem até fazer com que adiemos algumas experiências, mas não nos impede de conhecer o outro lado, o qual chegamos a pensar ser impossível... como Ferreira Gullar fala, o lado de uma “morte que faz o coração bater mais forte!” (impossível, na situação de morte, propriamente dita, o coração bater mais forte). Mas, numa paixão isso acontece!

Pois é... julga-se, inclusive, eu já julguei ser impossível, expressar uma paixão...
E, conheço uma que foi. Durante um longo período de tempo, sufocada, em total silêncio.
Até que: mais uma surpresa! Pode haver, na pessoa do outro lado do apaixonado, não se sabe se “paixão”, mas algo que se liga ao apaixonado. Em alguns casos, talvez, apenas, o desejo de algo “proibido”. Mas, nem paixão, nem o desejo do outro, no caso de não serem os dois apaixonados, muda a distância já estabelecida. E “O que se foi se foi...”

E no meio do que se foi e do que ficou, ele, o tempo, volto a dizer: o senhor do bem e do mal, passou... E, depois do seu passar e de muitas mudanças, eis que pensa-se ter surgido outra grande surpresa! Quiçá, a maior e melhor de todas as outras: a possibilidade! Em alguns casos, a sensação dessa possibilidade é rápida. Alguns acontecimentos até fazem crer que ela exista... mera fantasia da paixão!

Mas, a mais bela de todas as surpresas é poder sentir, vivenciar (mesmo que tímida e rapidamente) o encantamento do momento eternizado na memória. Tão somente pela beleza de ter acontecido, por poder ter estado lado a lado, não mais ter que reprimir, não mais ter que calar... Deixar retornar toda a paixão que há guardada... Não, necessariamente, vivenciada em sua plenitude, porém, sabida! Conhecida! Sentida!

Há, também, encontro marcado! Não se sabe se há tempos atrás ou recentemente. Mas, isso já não importa. O que se sabe, de fato, é que o desejo é maior do que as circunstancias passadas (proibições). E o encontro acontece.
E, mesmo que não haja a paixão em ambos os lados, o encontro faz feliz... Porque se pode esperar aquele encontro. Nos dias atuais, quem sabe trocar e-mails, mensagens... Imaginar o momento, preparar-se! Tudo isso fez parte de um grande momento...
Assim, como disse Antoine de Saint-Exupéry, em sua bela Obra O Pequeno Príncipe, "Foi o tempo que dedicaste à tua rosa que a fez tão importante" e dedica-se tempo... 
O momento grandioso, não se dá, somente, na vivencia do instante, propriamente dito, e sim, desde o primeiro sinal de que ele ocorrerá... “Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade!” (O Pequeno Príncipe). 
São os mais simples momentos que trazem o que chamamos de “felicidade”. E a felicidade da Paixão, o sentido da Paixão, está em vivê-la! Mesmo que seja em sua “morte”, com o coração em descompasso. Viva(m) as Paixões!!! "


Janaína Ramos. 

Psicóloga (Natal-RN)

terça-feira, 6 de novembro de 2012

TESTE


Devido ao enorme sucesso do texto “AURIS NESCIUS ou BEÓCIOS & PAPALVOS”, bem atendendo a inúmeros pedidos, retornamos ao tema, desta vez oferecendo aos nossos incontáveis números de leitores um teste para averiguar o nível de erudição linguística dos mesmos. Quem acertar todas as questões abaixo receberá gratuitamente, e em primeira mão, o Dicionário Literalpédia da Língua Portuguesa (quando um dia ele for publicado, é claro).
Resposta do teste será divulgada próximo sábado

1)PLISSADO:

(a)    Alguém que no passado pediu por favor em inglês

(b)   O que os coordenadores do blog veem quando olham seus rostos nos espelhos

(c)    Um tipo pós-moderno de pizz
2)SERAL:
(a)    Quando se mata sistematicamente mais de uma pessoa, daí o termo “Seralkiller”

(b)   Sigla de “Serviço Estatístico de Recenseamento de Alagoas

(c)    Lugar de pessoa insone
3)LEICENÇO: 
            (a) lei que obriga usar lenço

            (b) infecção do folículo piloso. Quando dá nas nádegas incomoda pacas

            (c) legislação que regula o IBGE
4)RUBICUNDO:
(a)    Uma pedra de rubi de cor profunda

(b)   Praticante de rugby

(c)    Como você vai ficar se não responder nada
5)GENOFLEXÓRIO:
(a)    Ajoelhou tem que rezar

(b)   Exame ginecológico

(c)    Remédio para garganta
6)ÓSCULO:
(a)    Óculos em nordestinês

(b)   Palavra latina para feofó

(c)    Do título do livro “O Ósculo da Mulher Aranha”
7)ACONTISTA:
(a)    Cupido

(b)   Cara que não sabe contar um conto

(c)    Diminutivo de conta de bar
8)PERSPORRÊNCIA:
            (a) tão ridículo quanto a própria palavra

            (b) ejaculação

            (c) trocar as mãos pelos pés na hora da masturbação
9)ATOSSICAR:

(a)    O que provoca tosse

(b)   O que o Literalpédia não faz

(c)    Beijo da mulher amada gripada. Daí o refrão da música “atossica meu amor, atossica”
10)EMPERDIDO:

(a)    Pessoa sem rumo

(b)   O que fazem as pessoas no tribunal do júri quando o juiz entra na sala

(c)    Rapaz com namorada nova
11)CREDER:
            (a) palavra latina de onde se originou o termo crediário

            (b) Karl Jaspers do século XXI

            (c) em latim cruzius credios que se traduz por cruz creder
12)DROMOMANIA:
(a)    Johnny Walker

(b)   Alguém com mania de ser dromado

(c)    Viciado em remédio
13)ANACRÔNICO:
          (a) viciado por Ana

          (b) o que em breve vai acontecer com os coordenadores do blog

          (c) conjunção AN(ausência)+A(negação) que significa ausência de negação de cronicidade
14)URENTE:
(a)    Urgente achar o G que se perdeu

(b)   Uma curva reta

(c)    Necessita de hipoglós
15)ZOILO:
          (a) o amigo do zorro
 
          (b) pessoa zoió

          (c) quem não gosta do Literalpédia
16)SANDEU:
(a)    O que Sandy fez para anunciar marca de cerveja

(b)   O que Sandy fez em seus sonhos

(c)    Quem não acompanha o Literalpédia
17)OPÓSCULO:
          (a) LiteralMente blog

          (b) o que vem depois do ....

          (c) pequena quantidade de pus
18)HIPOPOTOMONSTROSESQUIPEDALIOFOBIA:
          (a) medo de hipopótomo

          (b) coisa de psiquiatra que num tem nada pra fazer

          (c) teste de vista para renovar carteira de motorista
19)DEFENESTAR:
           (a) o que você faz quando tem dor de barriga
 
           (b) ação de defender uma celebridade

           (c) o que você vai fazer com o Aurélio depois de conhecer Literalpédia
20)À BEÇA:
(a)    Ir para a praia do Bessa (Paraíba)

(b)   Preguiçoso pedindo a benção à mãe/tia/avó

(c)    O que mais tem em matéria de cultura no LiteralMente

21)CHEIO DE BOSSA:
(a)    Um cara cheio de caroço

(b)   Sujeito boçal

(c)    Cebolinha dizendo que está todo cagado

22)BEÓCIO & PÁLPAVOS:
            (a) dupla sertaneja
            (b) ervas aromáticas da Indonésia

            (c) antes de se ler o Literalpédia

FIM:
                 Não é teste não, é apenas para dizer que o teste de hoje acabou e que suas respostas (gabarito) será publicado no próximo sábado.
 

domingo, 4 de novembro de 2012

A ALMA É FÊMEA: MRS. DALLOWAY E SEUS SILÊNCIOS


Em texto aqui publicado no LiteralMente falei rapidamente dos personagens literários cuja subjetividade e mundo interno de suas personalidades eram o motivo da própria narrativa. Agora iremos dissecar um deles: Mrs. Dalloway, do romance homônimo da escritora inglesa Virginia Woolf.
                Mrs. Dalloway é Clarissa Dalloway e a história se passa em apenas um dia de sua vida, dia em que prepara uma festa.  Interessante, de cara, observar que a personagem não nos é inicialmente apresentada por seu nome, mas sim pelo sobrenome do esposo. Em parte, muito provavelmente, por causa do patriarcado vigente na Inglaterra do começo do século XX. Todavia, penso, a autora nos oferta uma mulher cujo Eu é obliterado a partir de um Outro. Iremos, então, iniciar uma viagem alma adentro e conhecer o verdadeiro Self de Clarissa.


                Começamos com a personagem indo comprar flores e com ela o leitor é convidado acompanhá-la através de seus pensamentos e do fluxo de sua consciência e de outros personagens circundantes. Vamos sendo apresentados as suas lembranças juvenis e seus amores e paixões. Em um verdadeiro strip tease literário sua intimidade vai sendo exposta, bem como os sentimentos desta mulher cinquentona que se acha aprisionada a uma existência frívola e sem muito sentido. Em seu universo psicológico passado e futuro se fundem na ebulição de um monólogo interior por meio de um narrador onisciente. Através do recurso da “visão múltipla” Virginia Woolf nos leva à consciência de outros personagens que cruzaram com Clarissa. O tempo psicológico do livro são cerca de 20 anos da personagem que transita nas 24 horas do tempo cronológico.
                Temos uma mulher, embora se posicione no alto da pirâmide social, por dentro comum, com seus medos, alegrias, tristeza, angústias, aspirações e frustrações. Uma mulher forte e frágil que se depara com os ganhos e perdas de sua vida, assim como suas escolhas. Uma mulher que escondida por detrás da mulher social prepara festas e abafa seus gritos e sussurros. Uma mulher silenciosa que ama e sofre como qualquer outra mulher, aliás, como qualquer outro ser humano.
                A depressão ronda Mrs. Dalloway. Ou melhor seria dizer que a depressão é a essência feminina da alma? Sei apenas que a personagem vive o eterno embate entre os ideais da juventude versus o conformismo da vida adulta e das convenções sociais. Por isto é que a história de uma pessoa, a história de uma alma, é uma história que se conta aos poucos e nunca termina, mesmo quando um livro acaba ou se encerra uma existência.
                No desmascarar da personagem e no desnudar das aparências externas o que vemos é um passado sonhador que chega ao presente pelos caminhos tortuosos dos acontecimentos e das escolhas e se depara com seu antes futuro com certo olhar de nostalgia e arrependimento. São três as Mrs. Dalloways: a que se expõe publicamente, a que se esconde e se cala, e a que nunca foi e nunca será. Igualmente são três os tempos presentes: o histórico, o cronológico e o afetivo-emocional. Tudo se funde e se confunde em uma só pessoa, em uma só alma que está sempre aqui e ali a transitar por entre o desejo e a frustração.
                Clarissa vive no equilíbrio de uma corda que a sustenta. As escolhas de seu percurso basearam-se na busca pela estabilidade financeira, posição social e um casamento contido e sem paixão. Seus dias consistem em ser boa esposa e boa mãe que oferece festas e preocupa-se em cuidar de sua frágil saúde. Por debaixo do pano desses mesmos dias uma mulher sonhadora aspira por sonhos antigos não mais realizáveis. Soubesse ela antes o que depois seria teria agido com a vida e as encruzilhadas desta com mais liberdade, ousadia e com mais amor? Quem sabe? Nós nunca sabemos de antemão o que seremos, apenas vamos indo despercebidos do passar das horas, dos dias e da própria vida.
                A memória em Mrs. Dalloway ajuda a mantê-la no equilibrar da corda. Ao atualizar o seu existir a personagem se dá conta da alta voltagem que há entre as desistências e as existências. O mundo dos afetos não possui o tique-taque dos relógios. Pessoas, coisas e oportunidades passam, mas não os desejos. Eles continuam lá de onde não saíram, como sonhos inconsumados. Insistentes, perenes e permanentes, eles se grudam na pele de dentro como nossas máscaras sociais se grudam na pele de fora.
                Sim, somos um constante intervalo entre o que fomos e o que seremos. Este enorme intervalo que chamamos de presente que parece nunca terminar, até que chega o instante em que olhamos pra trás e nos deparamos com o passado, mas não somente com as lembranças do já ocorrido, mas também com as lembranças dos sonhos do passado. Em todo nosso passado, de todos nós e de qualquer um, existe um futuro do passado e um presente que não é como um dia idealizamos.
                Sim, somos todos Mrs. Dalloway.
               
Joaquim Cesário de Mello

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

CESTA DE VERSO & PROSA







Teus quereres






O que queres de mim? 
O que procuras em mim?
Sinto te dizer que não sou única.
Não sou uma.
Em mim há várias.
Em mim habita o mundo.
Sou tanto.
E é tanto que não me cabe.
Transbordo em fragmentos de um todo.
Todo é o que me compõe. 
Sou vazio também.
Existe muito em mim que não sei.
E em ti descubro muito de mim.
Não posso te dar apenas teus quereres,
pois sou inteira. 
Sou a vida
e a vida é incerteza, é multiplicidade.
Tenho riso
Mas há lágrimas nos cantos dos olhos.
Tenho paz
Porém as vezes faço guerra.
Eu abraço e deixo cair.
Beijo e também viro o rosto.
Não sou fácil.
E nem tão difícil assim.
Veja, estou sendo o que posso.
Sou humano.
Sou mulher.
Então, pense bem.
O que buscas em mim? 
O que queres de mim? 

Andreza Silva