quarta-feira, 19 de abril de 2017

DIÁRIO DE AULA: DISSOLUÇÃO DA CONJUGALIDADE

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Há um importante aspecto relacionado à separação conjugal que é a dissolução da conjugalidade. Se a formação da conjugalidade é um processo complexo de construção de uma realidade comum aos cônjuges, construção esta que representa por sua vez uma reconstrução da individualidade de cada um dos envolvidos para que se possa criar uma identidade conjugal, a dissolução de tal conjugalidade também embute sua própria complexidade. Romper o "eu-conjugal"envolve um longo e doloroso de luto e elaboração que pode durar até muitos anos. Para o psicanalista austríaco Igor Caruso, em seu livro "A Separação dos Amantes", estudar o desligamento amoroso significa estudar a presença da morte na vida (morte recíproca), ou seja, “o outro morre em vida mas morre dentro de mim... e eu também morro na consciência do outro". Se esquecer o outro que um dia amei já não é assim tão fácil, principalmente para aquele que não tomou a iniciativa da separação, ser esquecido pelo o outro então é ainda mais difícil.
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"De repente do riso fez-se o pranto... de repente da calma fez-se o vento... fez-se de triste o que se fez amante... do amigo próximo fez-se o distante", já recitava Vinicius de Moraes,"de repente, não mais que de repente". Poesia à parte, caros amigos, a dissolução de uma conjugalidade não se faz tão de repente. O filósofo francês Voltaire ironizava dizendo que "todo o divórcio começa mais ou menos ao mesmo tempo que o casamento. O casamento talvez comece algumas semanas mais cedo". Brincadeiras à parte a questão é séria, pois implica na experiência da dor amorosa. A dor do rompimento amoroso é uma das mais difíceis de suportar pelo ser humano porque se trata de um prazer perdido. Não se enganem: toda relação amorosa á arriscada e pode se tornar até cruel. Escreve Eça de Queiróz em seu livro O Primo Basílio: "as suas palavras, os seus beijos arrefeciam cada dia, mais e mais! Já não tinha aqueles arrebatamentos de desejo em que a envolvia toda numa carícia palpitante, nem aquela abundância de sensação que o fazia cair de joelhos com as mãos trêmulas como as de um velho!... Já não se arremessava para ela, mal ela aparecia à porta, como sobre uma presa estremecida!... Já não havia aquelas conversas pueris, cheias de risos, divagadas e tontas, em que se abandonavam, se esqueciam, depois da hora ardente e física, quando ela ficava numa lassidão doce, com o sangue fresco, a cabeça deitada sobre os braços nus!". E mais adiante conclui: "é que o amor é tão essencialmente perecível, e na hora que nasce começa a morrer".
Resultado de imagem para separaçãoDa construção da conjugalidade à dissolução da conjugalidade. Da posse à perda. Do "meu bem, meu bem" à "meus bens, meus bens". O que aconteceu? O que levou o amor a ferir-se de morte? Não há dissolução que não doa, seja no início, no meio ou no fim. Como diz Igor Caruso, a separação daqueles que um dia se amaram é a experiência vivível mais próxima da morte. Mesmo envolvendo pessoas adultas a separação conjugal ressuscita medos e angústias primárias. O processo separatório envolve tanto a dor da perda do próprio sentimento de amor quanto a dor da perda do sentimento de amor que antes o outro lhe dirigia e que agora não se está mais presente. 
Resultado de imagem para morte e  vidaÉ  evidente que a separação afetiva passa por um longo e elaborativo processo de luto. Porém há alguns que evitam as etapas necessárias e dolorosas do elaborar do luto. Há aqueles que rapidamente se lançam em busca de novos amores como uma forma de esquecer a pessoa amada - Caruso denominou tal movimento de "fuga para diante". Segundo ele o principal objetivo não é prosseguir a vida sem o antigo objeto amado, mas sim de se vingar matando-o internamente de maneira precoce. Sim a agressividade muito está presente no início da dissolução da conjugalidade, sendo um mecanismo psicológico muito utilizado a desvalorização do objeto. Não é fácil "matar" o objeto amado dentro de si mesmo, contudo tal "assassinato" se faz preciso com vistas à superação da perda e do abandono. 
Para melhor acompanharmos o tema e sua ampla complexidade sugerimos as seguintes leituras abaixo:

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