domingo, 27 de novembro de 2016

A migração no mercado de substâncias psicoativas



Desde que o tabaco foi utilizado pela primeira vez pelos europeus, demorou-se nada menos que cinco séculos, ou seja, quinhentos anos, para se constatar que a nicotina provocava dependência química e que a fumaça do cigarro continha milhares de substâncias  danosas à saúde, que vão desde os distúrbios  cárdio-respiratórios às formações de tumores malignos. Na verdade, o tabaco só foi, por assim dizer, considerado oficialmente danoso à saúde, na década de 1960, ou seja, a cerca de cinquenta anos (cinquenta anos em quinhentos de longa e larga utilização). Acredita-se que o retardo dessas descobertas  científicas tenha se dado por várias razões que aqui destaco três: 1. a falta de tecnologia para uma acurada pesquisa científica. 2. O prazer que a substância propiciava em seus usuários, ou seja o desejo em se manter fumante e por essa razão desconsiderar os seus possíveis danos. 3.  a forte pressão da indústria do tabaco - esta, talvez a mais importante. A indústria e todo jogo publicitário em relação ao fumo, minimizou, por muito tempo, os risco e deu relevância a supostos benefícios  ( isso mesmo! benefícios)

 Se se pesquisar os anúncios de marcas de cigarro na década de 1950, por exemplo,   se observará verdadeiras apologias ao bem-estar, ao vigor físico,   à  saúde - inclusive, sugerindo um ou outro fim terapêutico - com o hábito de fumar.  Esses comerciais relacionavam o uso do tabaco a beleza física, inclusive, ao  hálito agradável. Se  o cidadão daqueles anos folheasse  as revistas e jornais de sua época,  não se espantaria ao ver nos anúncios,  crianças, ou bebês, recomendando às mães a usarem uma determinada marca de cigarro, ou um  médico relatando o bem-estar e os aspectos terapêuticos, especialmente para as vias aéreas superiores, com a inalação de cigarro. Nesses anúncios nem mesmo papai Noel escapou  ao apelo da indústria.

Mesmo com todas as advertências constatadas pelo uso de tabaco, a substância continua sendo comercializada, no entanto, com várias restrições ao uso. Se estabeleceu, por exemplo, nas últimas décadas, locais de utilização,  campanhas de esclarecimento sobre os riscos da utilização do tabaco, realizado por  profissionais de saúde. Nunca se cogitou - e seria uma infantilidade se cogitar - a proibição do cigarro. A questão não passa pela proibição ou legalização do consumo, mas pela adequada restrição do uso e das campanhas preventivas e esclarecedoras de combate ao fumo.

Constatando-se que, nos últimas 500 anos, apenas nas últimas décadas  se chegou a alguma ideia de dano provocado pelo fumo, trago, em paralelo, algumas   reflexões sobre a utilização do canabis sativa - tema que vem se discutindo com frequência. Sabemos que a maconha é tão ou mais antiga na utilização quanto o tabaco, no entanto, o mesmo tabaco que hoje é banido e execrado pelos nossos cidadãos, no passado,  antes da formação da sociedade industrial, seus danos eram menores ou imperceptíveis.  Isso se deveu a utilização esporádica, muitas vezes ritualizadas (em ritos religiosos), que faziam naturalmente uma contenção  ao seu uso abusivo ou compulsivo - duas das características da  sociedade industrial e pós-industrial, que não se restringe necessariamente apenas as drogas, mas a outros hábitos e condutas (jogo, consumo, sexo, alimentos). Pode-se afirmar que, na atualidade, a organização econômica e social propiciou e propicia sobremaneira a explosão dos comportamentos  impulsivos.

Desse modo, não se pode afirmar que não há risco com a comercialização em escala industrial do canabis Sativa.  Ultimamente  vem se observando em alguns segmentos da sociedade, a ideia de que,  ao contrário de outras drogas lícitas ou ilícitas, a maconha  seria  inócua, terapêutica, com promissores resultados no tratamento de doenças como epilepsia, depressão, ansiedade ou insônia.  Argumenta-se que a maconha seria  uma substância “natural”, “orgânica” tão inócuo como numa espécie de “alface fumável”.  Essa demanda favorável ao uso de canabis me faz lembrar os antigos anúncios de cigarro. Será  um novo embuste?


Há alguns anos divulgou-se em conhecida revista britânica de farmacologia,   estudos em que se destacava que a  nicotina poderia ter efeitos terapêuticos em doenças neurológicas como Parkinson, ou nos quadros demenciais. Essa notícia, contudo, não estimulou as pessoas a voltarem ou a iniciarem o hábito de fumar. Por que? porque, a pesquisa é clara e inequívoca, não é o fumo que faz bem ou é terapêutico, mas uma substância do fumo, a nicotina, que utilizada dentro de determinados padrões e parâmetros, possa ter efeito medicinal. Esse equívoco que confunde o produto com o princípio ativo,   não está bem claro em relação ao canabis. Quando se fala de efeitos terapêuticos da maconha,  comete-se, minimamente um lapso. Não é a maconha, mas o canabidiol, substâncias química que, entre muitas outras,  contém no seu cigarro - que realmente é terapêutico. Para ser mais claro, trago mais um exemplo: há elementos químicos no veneno de cobra que são úteis à medicina, mas não se pode afirmar que jararaca faz bem à saúde.

Como disse acima em relação ao tabaco, os mesmos três pontos que destaquei  ao retardo das pesquisas, poderia ser migrado  em relação a utilização de  maconha.  Ainda não há pesquisas que possam afastar seus riscos ou trazer seu benefícios; há um desejo de utilizá-la, em razão de seus efeitos psíquicos;  e,  que considero mais relevante, há toda uma montagem industrial por trás dessa discussão - Não sejamos ingênuos.  Nos Estados do continente norteamericano - onde a ingenuidade comercial passa muito longe - em que a utilização da maconha foi liberada, houve um crescente e agressivo expansão de sua comercialização que vão desde  a produção de cigarros até bombons de maconha. Sabe-se que boa parte da indústria do cigarro que encolheu significativamente, migrou para o mercado do canabis sativa.

Com o aumento estatístico do consumo, começa já a aparecer, com mais frequência, alguns transtornos psíquicos relacionados ao seu uso. Sabe-se, e isso não é nenhuma novidade, que quadros psicóticos podem ser desencadeados ou agravados pelo uso de canabis, que síndromes ligadas à perda cognitivas vem sendo demonstrada com o seu uso crônico. Já se evidencia a dificuldade de concentração, atenção e memória com a frequente utilização, alguns desses estudos, inclusive, apontam que o uso na adolescência podem interferir no desenvolvimento intelectivo.

Enfim, não há substâncias inocentes. Talvez o canabis não seja a mais agressiva, mas isso não a torna inócua. o risco de sua utilização deve ser sempre aprofundado para que não se caia nos equívocos que vivemos no passado.

Marcos Creder

domingo, 20 de novembro de 2016

THE MAN

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Em 1978 o técnico da seleção brasileira Cláudio Coutinho autointitulou aquela seleção de "campeã moral" da copa na Argentina. Mesmo invicto o escrete brasileiro terminou em terceiro lugar por ter o Peru "aberto as pernas" pra seleção anfitriã na goleada de 6 x 0. Pois é, mutatis mutandis, foi algo parecido o que ocorreu com a última premiação do Nobel de Literatura concedido ao músico e compositor Bob Dylan. Como escreveu Marcos Creder, Dylan é um "escritor que não escreve livros". Proselitismos à parte, se era pra se homenagear textos musicais injusto, então, não se laurear com o referido Nobel a produção artística de Leonard Cohen. E olhe que não estamos apenas a falar das letras e peças musicais que ele compôs, mas igualmente a sua própria literatura. Cohen antes de se tornar músico já era um celebrado poeta e escritor canadense.Em 2011 foi vencedor do Prêmio Príncipe das Antúrias, honra esta destinada aos notáveis de várias áreas de humanas e ciência.
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Por ocasião de sua morte, em 10 de novembro deste ano, disse o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, que a capacidade que tinha Cohen de conjugar emoções fez dele um dos mais influentes músicos de todos os tempos e que seu estilo transcende os caprichos da moda. É fato, vide, por exemplo, canções como Hallelujah, Suzanne, I'm Your Man, Everbody Knows e Dance Me To End Of Love, entre tantas. E nenhum de seus sucessos se rendeu a fórmulas fáceis e comerciais. Decididamente Cohen já tinha se eternizado bem antes de ter se encantado. Diz o site R7; "do folk às composições com sintetizadores, Leonard Cohen foi ao lado de Dylan o mais próximo que um astro de rock surgido no auge do movimento chegou de unir com perfeição duas inspirações artísticas: a literatura e a música.", 
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Dizem que poesia é uma coisa e poética das letras musicais é outra. Porém não com Cohen. Suas músicas são poesias cantadas. Não é pra qualquer um. Profeticamente nos últimos anos vinha refletindo sobre sua própria mortalidade ("eu não tenho futuro/sei que meus dias são poucos"). A morte finalmente lhe chegou, como para todos chegará... um dia. De Leonard Cohen o homem se foi, deixou de existir. Ficou o poeta e o escritor que já foi comparado a James Joyce. Ficou o músico e compositor que, disse certa vez Bob Dylan, era o Kafka do blues. Ficou para sempre gravado sua voz inconfundível e única, cuja soada era grave, soturna, profunda e bela. Façamos hoje, pois, um réquiem para Leonard Cohen. Uma parte do mundo está órfã. A melhor parte.

Abaixo três das minhas mais preferidas músicas:

Dance Me To End Of Love


I'm Your Man:


The Future


Joaquim Cesário de Mello

domingo, 13 de novembro de 2016

A Teia da Solidão


A literatura e o cinema tem vários exemplos  de personagens que, por uma razão ou outra, viveram por algum tempo em solidão absoluta. Vez ou outra surge um roteiro  que se inspira no célebre personagem de Dafoe, Robinson Crusoé. São histórias instigantes que tratam da vida humana desumanizada pela solidão, solidão esta, imposta por alguma contingência, um naufrágio, um extravio, uma viagem mal sucedida. “O Náufrago”, “Perdido em Marte”, “Na Natureza Selvagem”, são exemplos de filmes que se inspiram nesse tema, além dos conhecidos roteiros inspirados  na literatura infantil, como por "Mogli", "Tarzan" ou personagens  parecidos.

 Sou da opinião de que os  temas tendem a nos interessar e a se repetir quando o tememos - como parece ser o caso - ou quando nos atraem. Pergunto, muitas vezes, o que nos faz assistir a um filme de guerra, onde casas, famílias, cidades e exércitos são trucidados? não se tem a resposta, contudo, nada nos impede de comer pipocas e, não tenha dúvidas, nos divertimos. Tememos a guerra real, a morte real, a penúria e a desumanidade. Do mesmo modo,  tememos a solidão  e, em algum lugar de nossa mente, essa mesma solidão nos encanta. Enfrentá-la tem algo de desafiador.  

Somos muitas vezes estimulados, nos dias de hoje,  a ver o mundo como uma grande aldeia  compartilhada. Um mundo cada vez menor com pessoa cada vez mais  próximas e muitos atribuem isso aos avanços tecnológicos da comunicação e da informação. Pois, afinal, alegam seus defensores, pessoas que não víamos há décadas, hoje são facilmente localizáveis numa rede social. Desde então, muitos reencontros vem ocorrendo, muitas saudações honestas e emocionadas são postadas para que todos vejam e compartilhem. O mundo, na rede social é solidário, eventualmente ponderado, sem aparentes preconceitos. Claro, existe um ou outro mal educado.   Alguns paradoxos questionam e fazem disso um verdadeiro embuste. Trago alguns acontecimentos.

Soube de um desses zum zum zuns urbanos que, num determinado edifício, desses superpopulosos, descobriram, após semanas, que uma pessoa, um senhor, havia falecido subitamente e que seu corpo só havia sido encontrado dias depois, depois que entrara em franca decomposição. A pessoa que me contou essa história, disse-me como numa profecia, “precisamos nos preparar para isso, pois esse tipo acontecimento hoje é uma raridade, no futuro será uma regra”. O paradoxo estava justamente na ideia de que apesar de muitos moradores naquele condomínio, as pessoas não se conheciam, e parece que quanto mais gente, mais distantes e cerimoniosos nos tornamos.

Um outro caso curioso e ao mesmo tempo lamentável foi de outra pessoa que ao tentar entrar em contato com a outra via “whatsapp”, não obteve respostas e entendeu que, talvez tivesse ocorrido um afastamento por conta de um eventual mal-entendido - algo muito frequente e corriqueiro  nas conversas em “rede”. Seis meses - isso mesmo, seis meses - se passaram e por acaso soubera que a pessoa tinha morrido em acidente de carro, horas depois de lhe enviar a última mensagem . Como não se tem mais telefones fixos, e não se deixa recados com terceiros ou com familiares, o anúncio de sua morte foi entregue a própria sorte.  

Costumo pensar que o mercado é um dos primeiros a perceber as mudanças nas relações subjetivas - o mercado disponibiliza produtos para as diversas  tendências contemporâneas, desde do crescimento de divórcios ao aumento da expectativa de vida dos idosos. Contavam-me, no passado, que os quadrinhos da Disney  eram sempre representados pela relação fraterna entre “tios” e “sobrinhos” por conta das grandes perdas humanas, principalmente masculina, ocorridas nas duas Grandes Guerras. A lógica é simples: a chance de sobrar, entre os sobreviventes, um  ou outro tio  era maior que um pai - esse é único. Daí veio a ideia do Tio Patinhas, Tio Donald, Tio Mickey alentar o difícil momento em que crianças europeias viviam. Zé Carioca e Carmem Miranda, nossos representantes, surgem, nesse mesmo período, a   europa devastada pelas guerras gerou migrações no mercado consumidor e criou o axioma,  “América para os americanos”. Com a solidão não poderia ser diferente. Existe hoje um crescente mercado destinado aos solitários, desde produtos de alimentação às moradias - cada vez mais precisa-se de menos de metros quadrados para se viver. Existe, inclusive, o turismo solitário, onde o sujeito viaja em “grupo” de solitários que limitam-se, assim como nas redes sociais, a viverem felizes e solidários pelo tempo que a viagem durar.

Com o sentimento de desamparo cada vez mais alargado, o sofrimento psíquico tenderá a se deslocar para os quadros ansiosos próprios das situações de desamparo, como os quadros  de transtorno de pânico. Quem já teve alguma experiência com esse tipo de quadro ansioso, sabe muito bem que, um dos sentimentos mais frequentes, o pano de fundo, é um intenso temor que algo lhe aconteça em situações vulneráveis. a vulnerabilidade? a solidão e o desamparo. A angústia do desamparo reitera a frase sempre dita no avassalador mundo contemporâneo: nunca fomos tão sozinhos. Provavelmente sempre vivemos rodeado por desamparo, mas algo de simbólico permeava e nos dava uma solidão acompanhada. O contato com o mundo real que a modernidade nos proporcionou nos tirou o véu do destemor. 

Marcos Creder

domingo, 6 de novembro de 2016

NOVEMBRO

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Peço licença a Marcos Creder para "quebrar" seu dodecálogo gregoriano dos meses iniciado com o texto "Agosto" publicado em 04/09 passado, porém novembro é o mês do meu aniversário. Dizem as antigas tradições que novembro é o mês em que os deuses do amor se reúnem para decidir o destino amoroso dos mortais. Pois é, quis o destino que eu nascesse em um distante novembro do século passado. Desde então, para mim, todos os meses e todos os dias são novembro. Não aceito desaparecer em um mês que não seja novembro. Se em novembro aqui cheguei, se em tantos novembros aqui vivi, é justo que novembro seja o dia do meu definitivo acabamento. Que em minha lápide um dia se escreva: aqui jaz um homem que viveu entre dois novembros
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Novembro é o mês em que todos os meus anos se encontram. Em novembro sou menino, homem, adulto, velho e não sou ninguém. Em novembro não tenho idades; somente saudades. Reabre-se em mim a janela da nostalgia de todos os meus mortos: os antigos, os recentes e os futuros. Em novembro vivo de lembranças e evito cumprimentos. Sou como Fernando Pessoa que dizia: "No tempo em que festejavam os dias dos meus anos,/eu era feliz e ninguém estava morto". Sou sobrevivente de mim mesmo e de minha história. Estou durando, mais do que antes pensei que durasse. Porém não estou melancólico, carrancudo ou tristonho. Estou jovial neste meu corpo envelhecido de tempo. Estou feliz, seja lá o que isso for. Espero poder assim continuar e um dia sumir em uma terminante noite alada. 
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Estou feliz porque não estou triste. A vida já é algo tão restrito e mínimo para desperdiçar os restantes minutos com o padecer de tristuras. Deixo aos apressados a sofreguidão de tantos açodamentos, Hoje não tenho mais pressa, afinal à frente me espera o nada, o vazio e a coisa nenhuma. Deixem-me, pois, quieto aqui neste novembro. Há aqueles que aspiram eternidades. Não eu. Modestamente desejo apenas a infinitude do mês em que nasci. Deveríamos nascer para não ter fim. 
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Que me perdoem os incautos. Não ousem ligar-me para lembrar do adiantado das horas. Já me basta o escoar persistente da areia da ampulheta a esbranquiçar meus minguados restantes fios de cabelo. Deixem-me apreciar em silêncio este mês tão interminavelmente temporário. Não quero vozes, cartões ou mensagens. Tão só, quero-me. No dia da minha data banquetear-me-ei com as lembrança, os sonhos, os desejos, as esperanças, meus fantasmas...e mais ninguém. Já me são tantos os convivas a saborear o festim dos meus derradeiros natalícios, e não há espaço para mais nenhum presente. Não queiram brindar-me com perfumes, camisas ou quinquilharias; afinal possuo tudo o que quero: desde a mulher que escolheu comigo envelhecer, de  quem tenho a presença dos finos traços de seus afetos delicados, à minha filha única e de mim herdeira, de onde terei a imortalidade que ora não possuo guardada sempre em sua memória.
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Existo e habito entre o que não consegui ser e o que nunca serei. De todos os irmãos que nunca tive e jamais terei sou o mais diferente. A moldura em que me pintei não há igual. Deve ser por isso que muitas vezes faço tudo ao contrário, menos voltar pra trás. E já se vão uma dúzia de lustros. Mais da metade, bem mais, da caminhada. A estrada em que sigo não há calçadas nem beiras. À frente esperam-me aqueles que festejavam os dias dos meus anos de menino.
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De novembro à novembro prolongo-me um pouco mais. Porém neste novembro que se descortina terei a idade última do meu pai. Saúdo-te, pois, novamente novembro. Em breve despedir-me-ei de ti e serás mais um mês a fazer parte do meu baú de ossos. E quando a melancolia de dezembro de mim outras vez se apoderar, é que ainda estou aqui e estou vivo. Ainda bem...


Joaquim Cesário de Mello